#WEBSÉRIE: A Delegada - 1ª Temporada

Capítulo 4


— Ui! – Geraldo usou o que tinha de melhor, sua malícia.
— Se eu fosse você não ficava de gracinhas – a delegada retrucou -. Sabe que está numa cela individual por ter ameaças de morte dos outros presos, mas basta um pedido meu e dessa noite você não passa.
— Qual é? – o criminoso se jogou contra o encosto da cadeira -. Veio fazer o que aqui?
— Descobri que está mandando ordens lá pra fora, devo confessar que sua astúcia me surpreende, mas sua burrice ainda mais – Débora provocou, em seu rosto estava o deboche estampado -. Acha mesmo que nunca descobriríamos? Na primeira oportunidade que teve um dos integrantes daquela facção nojenta o entregou. Tão unidos, não acha?
Geraldo gargalhou como se tudo o que tivesse escutado fosse uma piada.
— E ainda ri? – a mulher se indignou -. Sabia que seu castigo deveria ser mais severo.
— Perdeu seu tempo vindo até aqui – ele voltou para a luz aproximando seu rosto do da mulher -. Esse era o plano, deixar bem claro que eu ainda mando na Facção, vocês não tiraram o poder de minhas mãos e nunca vão tirar. Podem me trancafiar aqui dentro o quanto quiserem, eu continuarei sendo um perigo para essa sociedade cretina – em questão de segundos o bandido prendeu o braço de Débora em sua mão -. Quanto a você, princesa, não terminamos nossa brincadeira, em breve quero me divertir com essa delegada maravilhosa... e vou!
Com força a mulher deu um tapa no rosto de Geraldo, deixando-o fortemente vermelho.
— Canalha! Em uma semana será o seu julgamento, garanto que a pena será uma das piores, torço para que tenhamos a primeira pena de morte nesse país, assim lhe mandamos para seu lugar ideal: o inferno!
Tensa, Débora deixou o local, mas no rosto do criminoso permanecia além da marca do tapa uma tranqüilidade anormal, como se nada estivesse acontecendo. No fundo Geraldo sabia bem o que iria fazer.
Exausta com o dia que teve, logo que chegou em casa a delegada se jogou em sua cama. Entre tantas coisas que vagueavam por sua mente de repente a memória de Flávio lhe dominou. Uma saudade intensa apertou o seu peito, um nó se fez na garganta, logo as lágrimas rolaram. A falta que ele fazia em sua vida era algo descomunal. Meses haviam se passado, mas a dor parecia não ter cura, nada conseguia substituir aquele vazio.
Saber que o causador daquele sofrimento demonstrava estar cada vez melhor despertava uma raiva em Débora, e junto de tal sofrimento o desejo por vingança aumentava, nem que fosse pelas próprias mãos. Porém, se a mulher tomasse a atitude que realmente queria estaria colocando sua índole em jogo, o certo para ela seria esperar até o dia do julgamento, ela tinha certeza de que o castigo do seu inimigo seria doloroso.

<< Uma semana depois >>
Um dos julgamentos mais esperados iria acontecer dentro de instantes. O Fórum Criminal de São Paulo estava repleto de pessoas, algumas apenas por curiosidade e outras que eram estudantes de direito.
Débora, que seria uma das testemunhas, aguardava ansiosamente pela chegada do réu, o que não demorou muito. Assim que Geraldo pisou no tribunal um alvoroço começou, a serenidade no seu olhar incomodava a maioria.
— Ordem! – o juiz usou sua autoridade.
Com o passar do tempo as etapas foram desenroladas. Diversas acusações tornavam aquele homem ainda mais desprezível, enquanto seu advogado de defesa era cada vez mais vaiado por apresentar recursos que iam contra as opiniões de muitos, recursos estes que tornariam a vida do bandido mais fácil, mas era esse o trabalho do advogado, seu ganha-pão. Finalmente a delegada teve consigo a palavra.
— Além de todos os massacres que já sabemos que foram causados pelo réu e sua quadrilha, devo afirmar mais uma vez que esse indivíduo significa ameaça à segurança pública. Além de ter matado a pessoa que eu mais me importava – naquele momento a voz lhe falhou -, ainda tentou me abusar. E o pior: na última conversa que tivemos fui ameaçada novamente! Enquanto não souber que esse cidadão está tendo o castigo merecido não sossegarei. Faço isso em nome de todos aqueles que foram suas vítimas, pessoas inocentes que tiveram suas vidas ceifadas por alguém tão subalterno!
Descontroladamente o réu gargalhava, provocando um novo alvoroço.
— Ordem! – o juiz interveio -. Senhor Geraldo, qual o motivo da graça?
O bandido se colocou em pé deixando os policias ainda mais atentos, com um sorriso de canto ele estalou os dedos três vezes e dentre os espectadores alguém apareceu levantando sua blusa e mostrando ser o que realmente era: um homem-bomba.

— Manchete para os jornais! – Geraldo gritou -. Facção V ataca novamente – sua gargalhada doentia logo se fez presente.

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No próximo capítulo:

"A defensora do bem não havia resistido por muito tempo, já estava desacordada, uma hemorragia intensa fora causada pelo ferimento, o tiro também havia lhe acertado o peito. Desesperados os policiais a socorreram, já certos do pior..."

É o último capítulo dessa primeira temporada.
Você não vai perder, né?!

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