[WebSérie] A Delegada - 1ª Temporada

Capítulo 5
Final


Débora ficou paralisada por alguns segundos, não conseguia acreditar no que seus olhos lhe mostravam. O tribunal foi tomado por um enorme alvoroço, gritos de desespero eram escutados.
Talvez pelo impulso do momento o juiz decidiu usar sua autoridade ordenando que tirassem aquele homem dali, mas Geraldo mostrou quem daria as cartas:
— Um passo, e ele explode!
Todos no tribunal ficaram imóveis, ansiosos pelos próximos fatos. Não conseguindo mais se deter a delegada fez seu manifesto:
— Seu problema é comigo, canalha! Enfrente-me se não for covarde, mas deixe essas pessoas irem.
— Qual é mesmo a marca da Facção V? – o criminoso perguntou.
Na mente de Débora uma voz se apresentou: “A morte dos inocentes”. Apenas de imaginar a massacre que possivelmente iria presenciar, um frio percorreu pelas espinhas da mulher, ela já imaginava que o desfecho de tudo aquilo seria o sofrimento de muitos.
— Se esse homem se explodir você também morre – a delegada tentou mudar as coisas -, será que não passou isso por sua cabeça?
— Morrerei matando – a frieza com que Geraldo proferiu aquelas palavras fez com que lágrimas rolassem pelo rosto de Débora -. Coitadinha, a delegada durona resolveu ser sentimental... Ordeno que tirem de mim essas algemas!
Em poucos instantes o líder de uma das facções mais perigosas estava com as mãos livres. Demonstrando certa satisfação o bandido disse com a malícia nos olhos:
— Quero que somente a delegada permaneça no tribunal. Todos têm exatos cinco minutos para esvaziarem o local, ou explodirão!
— Geraldo, vamos conv... – o juiz foi interrompido.
— Vamos conversar merda nenhuma! – o criminoso jogou a cadeira em que havia se sentado com tamanha fúria -. Se eu fosse você vazava daqui, a não ser que queira ter os miolos estourados. VAZA! Quanto a você, Débora, venha até mim, uma gracinha sua e todos morrem!
Rapidamente o tribunal ia se esvaziando, logo só restaram Débora, Geraldo e o homem-bomba.
— Meu amigo, tire essas coisas de você e se prepare para a nossa fuga – segurando a delegada firme pelo braço o criminoso continuou: - Fica calma, garotinha, o titio promete que não irá machucá-la.
— Acha mesmo que me vencerá? – a mulher perguntou -. Venci-te duas vezes e não me importarei de vencê-lo a terceira.
— Eu não teria tanta certeza – Geraldo a puxou pelos cabelos fazendo-a ficar de joelhos no chão -. Está vendo isso? – na tela de um celular o criminoso mostrou alguém de grande importância na vida de Débora -. É a sua mãe! Ela está sob o meu comando, basta uma palavra minha e a coroa evapora!
— Onde está a minha mãe? O que vai fazer com ela? – a delegada disse mordendo os dentes enquanto as lágrimas lhe retornaram.
— Se você for uma boa garota a deixarei vê-la pela última vez.
— O que quer dizer com última vez?
— Quero dizer que de hoje você não passa – o bandido a prendeu em seu corpo -. Mas já sabe o que faremos antes.
— Me solta! – a mulher tentou escapar.
— Quietinha, ou a sua mamãe morre...
Para a mulher só restava obedecer, enquanto para o homem todo aquele sofrimento lhe causava prazer.
*
— E aqui estamos nós de novo – Geraldo jogou a delegada para o mesmo apartamento do prédio de combates anteriores -. Incrível a incompetência desse país, há anos esse prédio existe e continua aqui, para fazermos a festa!
Pela vela que iluminava o local Débora conseguiu enxergar sua mãe amarrada em uma cadeira com a boca lacrada.
— O que fizeram? – a mulher correu ao encontro da senhora, tirando-lhe o esparadrapo.
— Minha filha, graças a Deus! Salve-nos.
Enquanto abraçava a mãe a delegada sentiu algo em sua cabeça: o criminoso pressionava o revólver contra ela.
— Despeça-se logo da velhota. Seu tempo já está contado.
— Mãe – Débora abraçou aquela mulher como se fosse a última vez -, se eu morrer saiba que foi pela senhora, eu a amo.
— Não, minha filha, tudo vai dar certo.
— Mas é claro que não vai – Geraldo fez com que a delegada se levantasse apenas puxando-a pelos cabelos -. Finalmente encontrei seu ponto-fraco, parece que fica indefesa ao ver quem ama na mira da morte.
— O que quer que eu faça para deixar a minha mãe livre?
— Você sabe muito bem – o bandido novamente a segurou contra a seu corpo -. O que acha de acabarmos logo com isso?
Em meio ao pranto Débora respondeu:
— Como quiser.
Antes de começar com sua crueldade Geraldo ouviu diversos disparos, viaturas exibiam suas sirenes enquanto helicópteros iluminavam os apartamentos do prédio abandonado.
— Droga! Mas é claro que me encontrariam aqui... – o bandido disse para si mesmo.
Vendo que estava encurralado o mau caráter se aproximou da janela deixando Débora com o revólver na cabeça, proferiu:
— Uma gracinha de vocês e ela morre!
Fim de linha, espertalhão – o voz veio de um dos helicópteros -. Seus homens já foram detidos, resta apenas você!
— Desgraçados! – a potente voz do criminoso fez eco pelo prédio -. Já chega de bondade, vou meter bala!
Na mira da arma estava a mãe de Débora. Em meio ao pavor que a dominava em saber que sua mãe poderia morrer a delegada suplicou junto as lágrimas:
— Pelo amor de Deus, Geraldo, eu juro que o deixarei livre, juro que não será a prisão o seu fim, mas não faça isso com a minha mãe...
Dando um tiro em direção qualquer o bandido deu seu parecer:
— Tarde demais para fazer promessas, não acha? – o líder da Facção V jogou a mulher violentamente contra o chão e, sem tirar os olhos da pobre senhora, continuou seu discurso: - Esse é o preço que se paga ao enfrentar Geraldo Alcântara, o preço da morte! Contarei até três e a sua mamãe vai evaporar.
Jogada ao chão, sem reação alguma, Débora viu um policial escondido, que fazia sinal para que ela fugisse. Porém, a mulher não deixaria a sua mãe para trás, nem que morresse junto a ela. Então, o policial lhe lançou um revólver.
O astuto Geraldo tudo havia percebido e antes que a mulher lhe atirasse foi mais esperto e disparou contra a delegada. Espontaneamente Débora também atirou, de olhos cerrados, acertando o peito do meliante, que cambaleando para trás caiu da janela... Nem mesmo a sorte poderia poupá-lo da morte, tamanha fora a queda.
A defensora do bem não havia resistido por muito tempo, já estava desacordada, uma hemorragia intensa fora causada pelo ferimento, o tiro também havia lhe acertado o peito. Desesperados os policiais a socorreram, já certos do pior...
*
— Dona Laura – o médico responsável por Débora chamou a senhora de canto -, sua filha está entre a vida e a morte. O tiro não acertou seu coração, por sorte, mas a hemorragia lhe enfraqueceu muito.
— Por favor, doutor, não minta – os olhos daquela mulher já lacrimejavam -, eu tenho chances de voltar a ver a minha filha com vida?
— Bom... – alto homem abaixou sua cabeça tentando encontrar as palavras certas.
Antes que desse sua resposta o médico foi interrompido por um enfermeiro, que tinha no rosto sério um ar de preocupação, demonstrava que algo não estava certo.
A sós em seu canto Laura fechou os olhos e dobrou seus joelhos ali mesmo, fazia alguma prece. Concentrada em suas petições a senhora foi surpreendida por uma mão que pousou sobre seu ombro.
— Venha comigo.
Uma enfermeira guiou a mulher pelos corredores do hospital até que chegaram ao quarto daquela que era tida como heroína. Se aproximando da filha, Laura viu aquele rosto parado, que tinha os olhos fechados, e lembrou-se das inúmeras vezes em que esteve com a mesma em um hospital, socorrendo-a.
— Por que aconteceu isso com você? – a mãe angustiada acariciava o rosto da filha -. Tão boa... tão batalhadora...
— Mãe? – um sorriso naquele rosto surgiu, o brilho do olhar ressurgiu. A voz ainda fraca se esforçava para sair -. A senhora está bem?
— Graças a Deus! – Laura suspirou aliviada. – Sim, minha querida, agora melhor ainda!
— Pensei que fôssemos morrer...
— Você sempre protegeu aqueles que pôde e agora Deus lhe retribuiu o favor.

O pior já havia passado. Missão cumprida para a delegada, a tão admirada delegada...

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Fiquem atentos, em breve estreia a segunda temporada, com mais capítulos e mais emoção!
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