[Conto] Amor na Guerra

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Em tempos de guerra a dor, a aflição, a incerteza sobre o dia de amanhã, a falta de fé e a desesperança são os sentimentos que imperam sobre os corações amedrontados, os corações que se questionam se pulsarão por muito tempo ainda ou não.
Esses sentimentos não afligem apenas os soldados, aqueles que estão arriscando suas próprias vidas para o bem de uma nação inteira, por um povo que nem ao menos os conhece, como também afligem os entes queridos, os amigos e familiares, que não sabem ao certo se tornarão a abraçar o guerreiro ou não.
Mas existe algo que sofre ainda mais: o amor, a paixão. Casais amantes de si mesmos, que são separados por uma guerra, angustiam-se muito, afinal de contas um encontrou no outro o alento para a sua alma, aquilo que os atraiu de uma maneira diferente, intensa, não querem se separar, já não pode viver sem estarem juntos.

Daniela era uma jovem mulher que possuía grandes planos para o futuro, mas esse futuro só aconteceria com a presença de Elias em sua vida, o soldado do Exército Brasileiro, que fora convocado a guerrear durante a Segunda Guerra Mundial. Grávida de seu esposo, ela temia perdê-lo para a atrocidade humana, o simples ato de pensar naquilo causava calafrios em seu corpo, a criança que crescia em seu ventre parecia entender o sentimento e se manifestava agitado.
Conforme o tempo passava notícias de soldados mortos chegavam, felizmente o nome do seu amado nunca esteve nas listas, mas isso não era o suficiente para que Daniela se enchesse de paz, há meses não recebia cartas daquele que amava incondicionalmente e isso a preocupava mais do que pensar na própria morte.
Em todas as datas marcadas para a volta dos soldados brasileiros a jovem marcou presença na orla da praia de Salvador, seus olhos atentos e desconsolados procuravam ansiosos pelo homem que fazia seu peito acelerar, mas ele nunca estava lá.
13 de agosto de 1946. Segundo boatos aquela era a última data de chegada dos guerreiros da nação e, como de praxe, Daniela para lá se dirigiu, desta vez com um garoto que beirava os dois anos de idade agarrado à sua mão. Mesmo que lhe dissessem coisas horríveis para abalar suas esperanças a mulher nunca desistiu de esperar por Elias, algo lhe dizia que ele voltaria aos seus braços, nem que fosse o último homem a voltar para casa.

Elias era um jovem soldado que se casara cedo com aquela que tanto amava, mas ao ser convocado para a guerra que estava em seu auge precisou passar por cima do coração, ser mais forte que a intensidade dos nobres sentimentos que sentia pela esposa, dizer adeus sem alimentar esperanças de reencontros e partir não olhando para trás.
Ele se destacou no batalhão, era um dos que derrubava mais inimigos, era peça fundamental para o avanço das trincheiras, quando ferido não desistia, antes persistia, era notório que só entregaria os pontos caso ceifassem sua vida.
Porém, em uma noite distraída, o soldado foi capturado por alemães junto aos seus colegas e levado cativo de forma bruta e violenta, sendo ameaçado de morte torturante caso bancasse o esperto; sua cabeça era desejada.
Meses se passaram com Elias naquela situação, sem receber notícias da amada e sem poder escrever suas cartas cheias de romantismo. Foi em uma noite de esperanças perdidas que ele olhou para o céu e perguntou o porquê de todo aquele sofrimento, o porquê de estar atrás de grades sem nada dever a ninguém, o porquê de precisar aprender a viver sem ouvir a voz de Daniela e sem sentir os suaves toques da mulher. Durante o tempo que guerreou nunca derramou uma lágrima, mas naquela noite seu choro foi amargo.
— Guarde suas lágrimas para o choro da alegria — uma mão pousou sobre o seu ombro lhe chamando a atenção, era Jorge Souza, o seu general —. Hitler está morto, a guerra terminou.

Elias desejava que a imensidão do oceano se reduzisse a uma curta distância, ansiava pelo momento que abraçaria aquela que amou tão intensamente, mas dúvidas cercaram sua mente. E se ela tivesse perdido as esperanças? E se ela tivesse tocado a sua vida e agora vivia um novo amor? Talvez ela nem se lembrasse mais do seu nome. Ao menos estaria de volta em casa, onde poderia recomeçar sua vida.
O relógio no pulso marcava o meio-dia, o soldado já conseguia avistar terra firme e uma multidão ansiosa pela chegada dos guerreiros, mas talvez ninguém estivesse no seu aguardo, seria melhor deixar todos desceram do navio e, então, ele desceria.

Casais se beijavam saudosos, pais e filhos se abraçavam sedentos por aquele momento, a alegria em cada olhar e sorriso era observada pelos olhos de Daniela, que ainda procuravam pelo rosto mais bonito, mas que nada encontravam. A praia se esvaziava, ninguém mais descia do navio, a jovem mulher pegou o filho no colo, deu as costas e começou os seus passos lentos tentando encontrar respostas para o futuro, em como seriam as coisas dali por diante, em como conseguiria viver sem o amor da sua vida. Ela se esforçava em segurar as lágrimas.
— Daniela? — uma voz soou. A doce e inconfundível voz de Elias.
Ela se virou aonde a voz veio, abriu um sorriso alegre, sentiu o peito palpitar, seu coração parecia estar a ponto de explodir, as lágrimas rolaram espontâneamente, suas pernas tomaram vida e correram ao encontro do tão amado home. Pai, mãe e filho se abraçavam contentes na orla da praia, finalmente depois de tantas dúvidas agora a certeza: o futuro começava.

Fim
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E 1º de maio, o Dia do Trabalho, teremos a estreia de mais uma WebSérie aqui no CV, é Sombras do Passado!

Verônica Morgan é uma mulher audaciosa, ardilosa, possessiva, que não mede esforços para conquistar aquilo que quer, passa por cima de quem e do que for precisa.
De olho em todo o reconhecimento que a Morgan Modas possui trata de pôr um fim na vida do seu próprio irmão e da cunhada, os proprietários, mas por um descuido pratica toda a ação diante os olhos de Renata, a filha do casal.
Até quando as perversidades e barbaridades de Verônica ficaram impunes?

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Comentários

  1. Gente que conto arrasadoooor! Cabou com meu coração, não sei se aguentaria ser casada com um soldado não. Dá vontade de trancar a pessoa no quarto e flaar: Vc não vaaaai! KKKKKK. Odeio perder pessoas, quem gosta né ? Mas me coloquei no lugar da Dani, bem dificil essa situação :( Que bom que essa historia teve um final feliz, espero que de muitos muitos mais muitos mesmo tenham! XOXO, Kakau

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    1. Kkkkkkk sei bem como se sentiu, nunca estamos preparados para as separações. Obrigado pelo comentário 😊

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  2. Adoreeeeei a história. Me deu vontade de saber mais e mais e mais sobre os personagens, sobre a abordagem em si. Acho que você mandou super bem e deixou a imaginação rolar solta, não é? Acho que a aflição de ter um romance com um soldado de guerra é muito complexa. Dá um aperto no coração. Me surpreendi com teu conto, sério ♥

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    1. Que bom que gostou, deixei rolar mesmo kkk Obrigado pelo comentário 😊

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  3. Não iria aguentar ficar longe nenhum dia hahahaha, iria prender a pessoa em casa e não deixar sair... meu coração foi quebrado hhahaha

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    1. Deve ser muito aflitante kkk Obrigado pelo comentário 😊

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  4. É por isso que fico chorando com aqueles vídeos das crianças que reencontram seu pai que foi pra guerra! Eu sou do TEAM que não deixaria ir também ahaha. Arrasou no conto, parabéns! ♥

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    1. Também me emocionou bastante. Obrigado pelo comentário 😊

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  5. Awwww não faz isso com a gente, hahahahahaha. Amei o conto!
    Beijos
    Mari
    www.pequenosretalhos.com

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    1. Que bom que gostou. Obrigado pelo comentário 😊

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  6. Como lidar com um conto desses? Logo eu, que sempre fico mexida com coisas que envolvem guerra, vou ler uma coisa linda dessas *-* Fico imaginando tudo o que as pessoas daquela época sentiam num situação de guerra...

    Parabéns por texto, está incrível!

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    1. Com certeza viver sem a esperança de dias melhores é muito angustiante. Obrigado pelo comentário 😊

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  7. OMG! Li esse texto prendendo a respiração, juro que eu achei que o final iria ser triste, mas tive a grata surpresa de um conto lindo, cheio de amor e esperança do jeito que eu gosto. AMEI.


    http://missdiva.com.br/

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    1. Não costumo ser o autor malvado kkk Obrigado pelo comentário 😊

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  8. Ficou muito lindo o final, na verdade que seria apenas o começo para os personagens. Emocionante!

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    1. Quem sabe em um futuro próximo 😉 Obrigado pelo comentário 😊

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  9. Minha vida é exatamente como a de Daniela. Meus sonhos só acontecem quando tenho meu noivo por perto. Antes dele chegar na minha vida, as coisas pareciam que se empurravam. Agora tudo flui.

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    1. Algumas pessoas entram em nossas vidas para nos trazer luz. Obrigado pelo comentário 😊

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  10. Olha, eu sinceramente não sei como seria se meu marido (que não tenho) fosse convocado para a guerra, lembro que quando estouro a guerra do Golfo meu irmão estava no exercito e vários foram convocados para a retaguarda e ficamos morrendo de medo que ele estivesse na lista. Por causa desse episódio não sei se suportaria, acho que adorarei ler o livro pq parece uma história bem intensa.

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    1. Imagino a dor de vocês... Ainda não temos o livro, mas quem sabe um dia 💭 Obrigado pelo comentário 😊

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  11. Não sei se quero te abraçar ou te sequestrar para escrever uma continuação sem fim até que eu canse de ler a historia desses dois. Fiquei com um leve medo de você matar o Elias (odeio mortes, mesmo que seja só de personagens).
    Eu amei esse conto e juro que arrepiou, ficou incrível e muito mais que maravilhoso!
    Parabéns e continue escrevendo. Você tem um dom!

    Beijão

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    1. Me sequestrar? 😂😂😂😂 Que medo, meu Deus 😨😂 Quem sabe um dia eu consiga escrever a continuação? Obrigado pelo comentário 😊

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  12. Que texto mais incrível. Me lembrei de Querido John, uma história que também me tocou, muito forte por sinal, mas que bom que depois de tanta apreensão o seu conto teve um final feliz <3 Já vivi algo quase parecido, mas nada tão emocionante quanto. Simplesmente amei!
    Beijão! www.decaracomajuh.com

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    1. Que bom que gostou. Obrigado pelo comentário 😊 Abraços!

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