Um livro chamado Vida



Quantos livros você já leu? Acredito que muitos e também acredito que alguns foram previsíveis e, por isso, tediosos, enquanto outros o surpreendiam a cada capítulo e finalizaram as páginas de aventura ou emoção com um desfecho impensável. Acredito ainda que com algumas histórias você até sonhou, entrou de fato nelas, mergulhou de cabeça e depois ficou reflexivo: e se fosse realidade?

Livros assim foram criados por autores que souberam como manejar as palavras, que formulavam suas ideias e se espantavam com seus próprios pensamentos. Eles também se aventuraram, emocionaram-se a cada vírgula, choraram a cada ponto final. Eram eles e o mundo deles, um mundo com o qual eles fariam o que quisessem, criariam o que tivessem vontade, sem que palpites alheios os intimidassem.

Cada um de nós pode ser como esses escritores. Talvez você pense, “mas como? Não escrevo, nem sei como começar...”. Cada um de nós, ao nascermos, recebemos nosso primeiro presente, um livro chamado Vida, um livro só nosso, que terá a nossa história, com as nossas vontades e nossos desfechos. Contudo, os primeiros capítulos desse livro apresentam o modo de escrever dos nossos pais, a história começa por eles e temos todo o direito de no futuro criarmos reviravoltas naquilo que não concordamos e, assim, darmos um rumo diferente aos escritos.

Chega o momento da independência. Agora sim, agora o livro é inteiramente nosso. Folheamos as páginas passadas e nos deparamos com situações controversas à nossa realidade, à nossa maneira, é o momento da retomada. Podemos corrigir o que não saiu como gostaríamos, podemos encerrar algumas tramas e iniciarmos outras ao nosso modo, ao nosso gosto.

Porém, existem os palpiteiros, aqueles que não se contentam com apenas os seus livros e querem meter o bedelho nos dos outros, querem que os imitemos ou que criemos histórias ao gosto deles, querem nos privar de nossa própria liberdade. Esquecemo-nos que grandes autores criaram histórias ao próprio gosto, sem se importar com o alheio, já que ele não importa, o importante é que o resultado saia do nosso gosto, que nós sejamos os mais satisfeitos.

Damos, então, abertura aos comentários, passamos a criar capítulos conforme nos são ditados, ao passo que nós, como donos do nosso próprio livro, deveríamos escrever apenas aquilo que nos agrada. A história passa a sofrer turbulências, começamos a escrevê-la com dificuldade, sem vontade de continuarmos, parece que não vemos a hora do fim. Porém o livro chamado Vida não é como os outros, ele chega ao fim quando a nossa vida chega ao fim e não nos dá a oportunidade de reescrevermos o que já foi escrito.

O livro chamado Vida não permite que as páginas já escritas sejam apagadas, pois os seus efeitos não passam, no entanto ele nos permite recomeçar e esse pode ser o segredo. Como vai a sua história? Para qual desfecho ela se encaminha? Terá um final feliz ou um final ditado por terceiros? A sua história, tudo aquilo que você já escreveu, provoca em seu peito alegria ou decepção? Está satisfeito com os capítulos narrados? Pense bem, enquanto você respirar dá tempo de recomeçar.

O livro chamado Vida para alcançar sucesso e ser lembrado por longos anos como um verdadeiro exemplo depende apenas de nós. Somos os autores, os únicos que podemos ditar o fim da própria história, os únicos que podemos fazer deste livro chamado Vida em best-seller excepcional.


Saiba viver. Saiba escrever.

Um forte abraço,
E até mais!

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