[WebSérie] Sombras do Passado - Capítulo 01


Guarde em sua memória: Nada é tão lógico!
Você vai se surpreender...

Ambição

“Todos temos ambição para conquistarmos aquilo que queremos, mas a ambição mal usada é capaz de destruir um mundo. Ou, então, vários mundos...”

[13 de setembro de 1993.]
Paulo Woicik era um empresário de sucesso, possuía motivos de sobra para comemorar suas grandes conquistas e se orgulhar do fruto de seu trabalho. Dono de um espírito caridoso ele adotou uma criança junto a sua esposa, já que a mesma não gerava, essa foi apenas uma das diversas atitudes que comprovaram a essência daquele homem.
Porém a vida nunca é completamente justa com os homens, ao mesmo tempo em que dá, tira. O magnata havia sido vítima de um acidente fatal para o coma em que ele estava há semanas, em nenhum momento dava sinais de vida e a cada dia os médicos desacreditavam em sua recuperação. Verônica, sua esposa, vinha se mostrando uma mulher atenciosa, dedicada ao marido, não o largava em nenhum momento, mas não por amá-lo.
— O tempo tem andado a passos largos, querido, pode ser que você não o alcance mais — enquanto observava da janela do hospital as luzes que iluminavam as ruas escutas do centro de São Paulo a mulher disse suas palavras, aquilo que existia em seu coração —. Tantas propriedades a minha disposição, tantos eventos que perdi por sua causa, tanta coisa que tenho deixado de viver para acompanhá-lo nessa invalidez, tudo para que o tempo passasse e meu plano pudesse ser colocado em prática. Eu nunca o amei, essa é a verdade, mas sempre tive o desejo pelo luxo, pelo glamour, pelo prestígio... Foram essas coisas que me atraíram a você, não seus beijos mal dados, suas palavras melosas e ridículas, suas promessas para um futuro cheio de amor... Nada disso nos fez próximos, nosso envolvimento tem como razão maior o dinheiro!
O olhar gélido de Verônica continuava fitado na cidade enquanto as palavras saíam de sua boca, sem ressentimento algum.
— Antes de conhecê-lo naquele lugar tive uma vida cruel. Acabei me apaixonando pela pessoa errada e aquele amor juvenil me afogou na desgraça, jurei para o meu coração que não sofreria mais, que daria a volta por cima e que seria reconhecida no mundo todo... Veja só onde cheguei: sou a mulher de um dos homens mais ricos do país, tenho a minha marca registrada em roupas que todos usam, consegui reconhecimento e agora não preciso mais de você...
Certificando-se de que não havia ninguém próximo ao corredor Verônica aproximou-se do marido e lhe tirando o travesseiro disse suas últimas e inconsequentes palavras:
— Um dia vai me agradecer...
Verônica Morgan fazia mais uma vítima em nome da ambição.

*

A segunda-feira era nublada e chuvosa. O cemitério estava cheio de familiares do falecido e de amigos do mesmo, todos choravam amargamente pela perda de um homem tão especial.
Verônica, a viúva, tinha em seu colo o recém-nascido adotado bebê enquanto um de seus seguranças a protegia da chuva. A mulher demonstrava grande tristeza, passava a ideia de que era afligida por um sofrimento sem tamanho. Sua atuação era impecável.
Ao sair do enterro a influente viúva se viu rodeada de repórteres que queriam a todo custo saber o que havia de fato acontecido. Com a voz baixa ela atendeu a um dos tantos jornalistas.
— Saí para comer e ao voltar encontrei o meu marido sufocado por um travesseiro... Foi horrível... A morte dele foi cruel!
Sem mais declarar coisa alguma Verônica pediu ajuda aos seguranças para se livrar dos demais questionamentos, aquilo a cansava.

*

Renata Morgan era uma menina bastante educada, atenciosa e carinhosa. Filha dos maiores estilistas do Brasil ela já despontava sua vocação para os desenhos, em sei quarto vários deles podiam ser admirados.
Verônica era sua tia, irmã de Rubens, o seu pai, e ao voltar do enterro pediu a ajuda da garota:
— A titia precisa muito conversar com os seus adoráveis pais, posso deixar o Jonas com você?
— Claro, será um prazer.
— Ótimo. Agora não saia do quarto, para o seu bem...
Aquela mulher trabalhava com o irmão na Morgan Modas, ela também era estilista, mas os seus trabalhos não faziam tanto sucesso quanto os dos sócios majoritários. Seu desejo era ter aquela empresa sobre o seu total controle, não dividi-la com ninguém, ter os seus desenhos como principais.
— Verônica, já decidimos isso e a resposta é não — Rubens lhe respondeu tomando um gole de café.
— Meu irmão, pense um pouco, sua vida estará ganha até o final dos seus dias, poderá descansar os tantos anos trabalhados. Venda-me a empresa, agora posso tê-la.
— Você não desiste? Não escutou a resposta? — Sara, esposa de Rubens, começou a se irritar —. Meu marido e eu construímos tudo isso debaixo de muito esforço e dedicação, jamais desistiríamos do que é nosso... O que me causa estranheza é alguém que acabou de perder o marido aparentar muita disposição para resolver os negócios...
— Por acaso está insinuando que suspeita de mim? Estou sendo chamada de assassina? Acham mesmo que eu seria capaz de matar o meu próprio marido?
— Não é isso, pare com o drama — Rubens interveio —. O problema é que nós estamos muito abalados com o que aconteceu e não queremos discutir assuntos tão delicados. Você também deveria descansar um pouco, afinal, foi o seu marido que morreu.
— A vida não para por causa da morte de alguém — suas frias palavras não soaram bem aos ouvidos dos que a ouviram.
— Sara, vamos nos deitar, minha irmã precisa ficar um pouco sozinha.
— A realidade dói, não é? — enquanto o casal subia a escada Verônica os interrompeu com o seu discurso —. Vocês são uns fracos que enfrentam a perda como o fim de tudo. Sabem que acho isso um absurdo, não sabem?
— Não consigo entender como alguém pode ser tão frio — a senhora Morgan se virou para a cunhada e se assustou com a visão que tivera.
— Quer que eu a explique? — Verônica tinha a esposa do irmão na mira de sua arma.
— Pare de loucuras! — Rubens suplicou também assustado —. Qual é o seu problema?!
— Eu aprendi que quando as pessoas não te dão algo por bem, você pega a força... — disparando contra aqueles que faziam parte de sua família a viúva os vira cair da escada com a satisfação no rosto —. Mas que o seu desejo de objeto vai para sua mão isso vai!
Olhando para o topo da escada Verônica viu sua sobrinha a observando, logo o desespero a tomou:
— O quê faz aí?!
— Isso é errado! Você precisa ser castigada! — a garota respondeu com lágrimas nos olhos.
— Não mandei ficar no quarto? — a mulher subia cada degrau cautelosamente —. Você me desobedeceu, isso que é errado, então precisa ser castigada!
Arrastando Renata pela escada Verônica a levou até o carro saindo em disparada, já formava um plano em sua mente.
— Vou contar tudo para todos! Vou contar que você fez uma coisa errada! Você matou! — a menina em meio ao choro esbravejava as palavras.
— Isso é o que você pensa. Poderíamos ser muito felizes juntas, mas foi desobediente e agora vai pagar caro — a megera fitava a assustada criança pelo retrovisor.
Logo adentraram um bairro afastado do centro da cidade. Estacionando o carro perante uma casa sombria, com aspecto de abandono, Verônica forçou a garota a deixar o carro, levando-a para a construção deserta.
— Ora... Ora... Ora... A quem devo a honra? — um homem maltrapilho se apresentou perante as duas.

— Quero que se livre dessa garota — a estilista foi direta —, sem deixar rastros!

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No próximo capítulo de Sombras do Passado:

Segurando cada vez mais o choro aquele homem barbudo, mal vestido e que tinha uma pose de malvado, retribuiu o abraço da indefesa criança.

De segunda à sexta, às 19h30!

Comentários

  1. Uau, que história interessante, me prendeu desde o principio e achei ousado seu jeito de escrever, logo no primeiro capítulo tantas mortes, gostei de verdade, hoje a noite leio mais, amei!

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