[WebSérie] Sombras do Passado - Capítulo 11



Dando Errado


“Nem tudo o que queremos acontece, nem tudo sai como planejamos e às vezes o errado pode custar caro, pode custar a sobrevivência...”

A modelo apareceu deslumbrante para o alívio de Renata e para o total descontentamento de Verônica, que não conseguia entender o que teria falhado em seu plano.
O tempo se passava. A cada apresentação elogios eram tecidos à Button Modas, os críticos se maravilhavam cada vez mais, deixavam claro que finalmente a Morgan Modas teria uma concorrência à altura.
— É com enorme satisfação que encerro o evento deixando claro que muito em breve cada brasileira terá ao seu alcance os nossos produtos, a inovação! — Renata agradeceu a todos em seu curto discurso.
O lanche preparado era servido enquanto a estilista Button, juntamente a sua modelo, cumprimentava os ali presentes.

— Pensou que iria mesmo destruir a minha carreira? — Jéssica encarava os frios 0lhos de sua antiga patroa
— O que você teve chama-se sorte,mas ela não costuma agir sempre — a senhora Morgan possuía um tom ameaçador.
— Espero que já esteja se preparando para conhecer a cadeia. Vou denunciá-la pelo que fez — a moça estava decidida.
Após uma divertida gargalhada Verônica retomou o fôlego, olhando no profundo dos olhos da modelo ameaçou:
— Duvido que consiga provar e, antes que faça alguma besteira, quero deixar claro uma coisa: se alguém souber do que aconteceu considere-se morta.
— Você não seria capaz...
— Acha mesmo? — Verônica se aproximou do ouvido de Jéssica, com a voz mais baixa prosseguiu em suas ameaças: — Fui eu quem matou o próprio marido, o irmão e a cunhada... Eliminar alguém tão fútil como você não será difícil.
Conseguindo notar o pavor nos olhos da jovem a estilista foi embora, irradiando simpatia, mascarando sua alma sombria.

[Alguns dias mais tarde...]
Jonas, como de praxe, estava em seu escritório bastante empenhado com seu serviço quando recebeu uma carinhosa mensagem da namorada dizendo que o amava. Como um adolescente bobo o rapaz ficou olhando para o vazio enquanto um sorriso apaixonado se formava em seus lábios, Renata invadia seus pensamentos.
— Filho? — Verônica o tirou do transe —. Que olhar é esse?
— Não é nada... — o consultor tentou disfarçar retomando a atenção aos tantos papéis que o cercava.
— Pensa mesmo que me engana? — a mulher sentou-se em um dos sofás —. Sempre que uma paixonite o acometia era esse o seu aspecto, uma das poucas coisas que o deixou enquanto você cresceu. Quem é a garota?
Antes de responder Jonas pensou nas consequências, sabia o quanto a mãe era possessiva e ciumenta e o quanto isso atrapalharia o seu relacionamento. Por outro lado o simples fato de saber que finalmente encontrara um verdadeiro amor, alguém que ele amaria realmente e que lhe retribuiria tão nobre sentimento, o enchia de coragem e forças para lutar por aquilo que queria.
— Quer mesmo a conhecer?
— Então é uma garota... — a estilista revirou os olhos —. Tenho certeza de que não ficarei tão maravilhada quanto fiquei ao descobrir seu envolvimento com Letícia.
— Letícia sempre foi muito submissa às suas vontades, é isso o que a fascina.
— Não sei do que está falando...
— Sabe sim... Sempre foi muito ciumenta, sempre quis me cercar no seu território, mas precisa entender que eu cresci, não sou mais o seu garotinho, tenho as minhas vontades, os meus desejos, os meus sonhos...
— Eu só quero o seu bem. É a única pessoa pela qual realmente me importo, que amo de verdade, preciso estar sempre ao seu lado.
— E estará, basta me apoiar em minhas escolhas,
— E se ela lhe machucar? Ferir os seus sentimentos? Brincar com o seu coração?
— Tenho certeza de que isso não acontecerá. Posso convidá-la para jantar conosco?
— Tudo bem — se deu por vencida —, espero não me decepcionar.

*

Desde que pisara em território brasileiro Renata também não tirava de sua cabeça um dever que imaginava ter, mas lhe faltava forças. Porém, naquela tarde ensolarada, a estilista tomou coragem e foi ao cemitério onde seus paus estavam enterrados levando consigo algumas rosas.
Depois de tanto procurar finalmente encontrou a cuidada sepultura daqueles que a mulher nem ao menos teve tempo de dizer adeus, aqueles que ainda viviam dentro do seu coração.
— Sinto tanto a falta de vocês, das suas vozes, do carinho que recebia sempre antes de dormir — Renata colocou ali as flores e sentando-se ao lado da sepultura banhada a ouro continuou o seu desabafo: — Nunca entendi o porquê do triste rumo que a vida tomou, da solitária história que o destino escreveu... Tudo isso apenas me encheu de vontade pela vitória, de desejo por vingança, talvez seja o que tem me mantido em pé. Foram tempos difíceis os que passei, sempre com a imagem da cruel morte invadindo os meus sonhos, mas agora estou aqui para fazer valer a pena cada segundo de dor...
— Então é verdade, seus pais foram mortos na sua frente — uma mão pousou sobre o ombro da mulher.
— Pedro? O que faz aqui? — Renata logo se levantou enxugando as lágrimas.
— Ficar o dia todo em um apartamento por mais luxuoso que seja é uma tortura para alguém acostumado com a liberdade da praia.
— Você tem razão — a estilista deu um sorriso —. Como me seguiu e por quê?
— Entrei no seu carro, se fosse um criminoso já teria lhe seqüestrado... Vim porque não confiava totalmente em você, desde que chegamos aqui nem ouvi falar do meu pai, precisava investigar a sua vida.
— Agora confia?
— Posso dizer que sim.
— E quanto ao seu pai em breve saberemos o que aconteceu, mas antes preciso conquistar o território inimigo, a Verônica precisa estar dispersa.
— Tudo o que mais quero é abraçá-lo e levá-lo de volta para casa, de onde nunca deveria ter saído.
— Também é meu propósito salvá-lo dessa mulher tão vil — Renata abraçou o moreno —, confie em mim.
Enquanto voltava para casa a estilista precisou atender uma importante ligação, era do seu namorado.
— Sentindo minha falta? — o rapaz indagou.
— E como...
— Então o que acha de jantarmos essa noite? Irei apresentá-la à minha mãe oficialmente!
Por alguns instantes a mulher ficou em silêncio, pensar que jantaria com sua maior rival lhe causava enjôo. Ao olhar para o lado viu Pedro e lembrou-se de mais um de seus propósitos, ajudar quem um dia a ajudou. Talvez sacrifícios fossem necessários.
— Renata? Está aí?
— Sim. Sim. Combinado, ficarei maravilhada em jantar com a sogra...
— Ótimo. Faço questão de buscá-la.
— Quanto a isso não se preocupe, vou com meu carro mesmo.
— Se é a sua vontade... Nos vemos logo.

— Não consigo imaginar como vou reagir, será a segunda vez que ficarei frente a frente a uma pessoa que tanto odeio — Renata desabafou com Jéssica enquanto retocava a maquiagem.
— Já pensou em desistir da vingança por amor? — a modelo sugeriu.
— Isso nunca. O tanto que sofri não pode ficar por isso mesmo, a justiça precisa acontecer.
— Você quer dizer a injusta justiça. Faz idéia da dor que pode causar a Jonas?
— Até lá eu o faço odiá-la!
A mulher tinha sede por vingança, nunca quis se vingar de alguém tanto quanto queria de Verônica, não importasse as consequências.

Logo que chegou à mansão onde passara os primeiros anos de sua vida Renata sentiu um aperto na alma, um vazio no coração. Havia sido ali que a maior tragédia de sua vida acontecera.
— Não vai descer? — Jonas bateu no vidro tirando a moça de seus pensamentos.
— Por que não podemos nos ver com freqüência? — Renata abraçou o rapaz como se há muito tempo não o visse.
— Talvez porque trabalhamos como loucos... Vamos logo, precisamos recuperar cada segundo perdido.
Ao adentrar o lugar a estilista observava cada detalhe com atenção, nada havia sido tirado do lugar, nem uma decoração sequer. A cada passo dado flashes da infância invadiam a sua mente, memórias do passado agrediam o seu coração.
— Renata? Está chorando?
— Não é nada... Felicidade por estar ao seu lado — querendo disfarçar a mulher recorreu a um novo abraço, ainda mais forte.
— Filho, não vai entrar? — Verônica foi até o jardim, achava estranho a demora.
O casal se separou deixando claro quem era quem. A senhora Morgan não conseguia acreditar em quem era a namorada do seu filho, tudo parecia estar dando errado em seus planos.


Continua...

~~~~~~~~
No próximo capítulo:

— Sim, meu filho, merece — Verônica mantinha seu olhar na moça —. Ou talvez ela mereça. Já contou a ela sobre todas as suas paixonites? Espero que dessa vez as coisas sejam diferentes e você sossegue.
— Mãe! Isso é coisa que se fale?
— Querido, ela tem o direito de saber! Aposto que a sua adorável namorada não gostaria de estar em algum lugar com você quando chegasse alguma soltinha de águas passadas arrastando as asas para o seu lado. Estou errada, querida?

De segunda à sexta, às 19h30!

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