[WebSérie] Sombras do Passado - Capítulo 27



Mira Certeira


“Esportes que dependem de uma boa mira não são feitos a base de sorte, mas de talento”.

Nojo. Ódio. Rancor. Raiva. Desejo por vingança. Desejo por justiça. Lembranças sombrias de um passado cruel. Renata se viu afligida por cada uma dessa munições que apenas o olhar de Verônica lhe lançava, um olhar de desprezo, de frieza, de maldade, o mesmo olhar que um dia causou a maior infelicidade na moça agora lhe encarava profundamente, deixando claro que toda a verdade já estava descoberta.
— Sou eu mesmo — a dona da Button Modas estufou o peito enfrentando o desafio —. Depois de tantos anos finalmente a justiça será feita!
— Eu não teria tanta certeza — a cruel mulher lançou seu olhar sobre o rapaz que mantinha em seu domínio —. Pobre Raul... Sempre tiram dele o que tem de mais valioso: os filhos... — riu descrente —. Com se sente em saber que Jonas vive? Não pode dizer que sou completamente má, estou lhe dando a oportunidade de conhecer o próprio filho, o qual sempre pensou estar morto.
O deboche usada pela veterana estilista causou uma enorme raiva naquele homem, sua vontade era passar por cima de sua próprios conceitos e aniquilar a vida daquela que tanto o machucou, mas aquele que foi tirado dele nos primeiros momentos de vida poderia pagar caro.
— Como consegue ser tão desprezível?
— Sou Verônica Morgan, a exclusiva!
— Sabemos muito bem que essa exclusividade não lhe pertence — ele estreitou os olhos.
— Por enquanto — o aspecto misterioso no rosto da mulher tornou aquele diálogo uma incógnita: do que estavam falando? — Meu querido Raul, você jogou fora a melhor oportunidade de sua vida, poderíamos ter vivido uma bela história juntos, poderíamos ter um reinado só nosso, mas a sua tolice o cegou. Sua troca, nada equivalente, causou a dor no meu peito... Você foi a única pessoa que amei de verdade, pela qual eu me importava realmente, eu imaginei uma vida ao seu lado — enxugando o rosto molhado pelas lágrimas que possuíam um misto de melancolia e raiva, a mulher prosseguiu: — Sua traição me colocou em questionamento: o que eu não tinha? Talvez fosse o poder soberano, mas percebi um desprezo da pessoa que eu mais amava... Comecei uma busca incansável pela totalidade, a qual você sabe o que significa. Se existe um culpado por cada atrocidade que cometi ele é você!
— Não respondo por suas ações! Aquele relacionamento estava baseado em mentiras, em coisas instáveis, fadado ao fracasso; eu nunca te amei e jamais a enganaria... Todo aquele seu ciúme e toda a possessão que você manteve sobre mim mesmo depois do término daquele infantil romance causou a minha repulsa, ficar ao seu lado era insuportável!
— Insuportável é não ter o que se quer! — sua voz era estridente —. Ao menos consegui fazê-lo sofrer, a mulher que o amava pagou pelo seu erro, e a criança que de nada sabia foi tirada dos seus braços. Apenas lhe restou a dor, a dor de não ter o que se quer!
— Então tudo o que fez foi por vingança — Jonas esforçou a voz, sua canseira o tomava cada vez mais —. Nunca gostou de mim como sempre disse.
— Isso não é verdade, eu o amei. Você era um pedaço do homem que tanto desejei, olhar para o seu rosto me levava para mais perto dele, ouvir sua voz fazia com que a ausência fosse compensada — suas palavras eram ditas com um semblante verdadeiro —. Cuidei da sua vida como se estivesse cuidando dele, tudo o que fiz por você foi pensando na pessoa mais importante da minha vida!
Tudo aquilo explicava as atitudes de tão odiada mulher, esclarecia o porquê de seu duro coração, mas não justificava nada do que houvesse acontecido já que as escolhas poderiam ter sido diferentes.
— Tudo isso coloca em prova o seu egoísmo — Renata declarou —. Faz ideia do que eu sofri?
— Com você eu converso depois, mas agora o seu noivinho precisa saber que foi enganado, precisa saber que está sendo o último a descobrir toda a verdade.
— Ele não tem que saber dessa maneira — a estilista suplicou, os próximos momentos poderiam ser decisivos em seu relacionamento.
— Jonas, eu avisei que era somente em mim que poderia confiar — o olhar da ruiva era de satisfação pelo sofrimento que causaria —. A sua amadinha não é essa garotinha meiga, é uma mentirosa! Vocês são quase primos, seu verdadeiro sobrenome é Morgan, por pura rebeldia foi parar sabe-se lá onde e apenas voltou a fim de me destruir. Como pode ver nenhum dos seus amiguinhos está surpreso com toda a novidade, isso quer dizer que já sabiam. Concluindo: ela não confia em você, logo não o ama de verdade — a astúcia parecia não conhecer limites.
— Quem é você para falar o que sinto ou o que deixo de sentir? — Renata se descontrolou com tanta fúria e partiu para a briga contra sua pior inimiga.
Defendendo-se dos tapas, Verônica jogou Jonas contra o chão e como sua presa agora tinha a sobrinha.
— Paradinha ou estouro a sua cabeça!
Toda aquela cena causou o pavor nos que a assistiram, o medo os tomava cada coração, todo o que acontecesse seria precedido por muito suspense.
— Eu vou levar essa otária comigo — puxou a estilista para mais perto de si —. Se eu notar alguém me seguindo jogo a cabeça dessa medíocre pela janela do carro!
Ainda consciente Jonas implorou ao ver sua amada sendo levada:
— Não a deixem ir, salvem-na!
— Como pode ser tão idiota? — a ardilosa mulher interrompeu os passos e, sem piedade alguma, disparou contra o jovem consultor, acertando-o no peito —. Será um favor que lhe faço quase morra! Agora que viram do que sou capaz e têm com o que se preocuparem não me importunem!

*

A casa abandonada no meio do mato sempre usada por Verônica lhe seria útil mais aquela vez. Jogando Renata para dentro daquele lugar a estilista a amarrou em uma cadeira, era apenas o início de toda a tortura.
— Como consegue ser tão ruim? — Renata derramava intensas lágrimas de desconsolo, não podia acreditar na ruindade daquela alma —. Não se cansa de carregar um espírito tão sombrio?
— Sentimentos não passam de ilusões criadas por corações carentes.
— Por que tudo isso? Por que matou os meus pais naquele dia? Por que quer me destruir?
— Você também quer me destruir — a mulher arqueou as sobrancelhas.
— Na verdade não... Ao conhecer Jonas todos os meus planos mudaram, eu não poderia machucar alguém que ele tanto amava, minha vingança foi lutar contra você usando a concorrência, eu não tiraria a sua vida como o seu coração deseja contra mim.
Aplaudindo, Verônica gargalhou:
— Belo discurso, comoveria muitos idiotas. Se saísse daqui viva a aconselharia que escrevesse romances, mas apenas será mais um talento desperdiçado... Respondendo à sua pergunta os seus pais sempre foram um empecilho para os meus objetivos — iniciou a explicação —. Primeiro que eu queria a Morgan Modas apenas para mim, queria todo o reconhecimento dado apenas sobre o meu nome e, segundo, apenas o seu pai possuía algo que supostamente estava com ele e eu muito cobiçava, infelizmente, se não fosse pela empresa, o teria matado em vão como fiz com muita gente... — a frieza usada para as declarações eram espantosas.
Tal declaração causou arrepios em Renata, que não fazia ideia de tamanha ruindade que reinava na mente daquela fatal mulher.
— Quer dizer que outras pessoas pagaram pela sua maldade? Por que tudo isso? Eu não consigo entender — muitas eram dúvidas e poucas as repostas.
— Eu busco até hoje pela totalidade e finalmente sei onde a encontrar.
— Que totalidade?
— O poder supremo.
Nada fazia sentido, Renata se sentia cada vez mais confusa, seria melhor acabar com aquela conversa que não chegava a lugar algum.
— Está enlouquecida.
— Está enganada... Pobre Renata, injustiçada pela vida, morrerá sem saber do que é realmente capaz. Será melhor assim, acredite em mim, sua decepção poderia muito maior que a dor da morte.
Pegando uma reluzente espada Verônica demonstrou satisfação ao notar seu reflexo no objeto de guerra, a forma como encarava o artefato denunciava suas banais intenções, eram as mesas dos homens de tempos medievais.
— Já ouviu falar que vampiros só morrem se tiverem suas cabeças cortadas?
— O que quer dizer? — em meio às lágrimas que caíam de forma ainda mais intensa a moça indagou encarando o fatal instrumento de lutas sangrentas com todo o pavor.
— Não... Não estou dizendo que seja uma vampira, na verdade é bem melhor que isso — riu divertida —, mas pessoas como eu, como o seu pai e até mesmo como você não morrem tão facilmente, um simples tiro não nos coloca na cama, apenas ferimentos cruéis conseguem nos deter — levantando a espada a mulher terminou sua fala: — Que a totalidade seja apenas minha!
Ainda com as mãos ao alto a estilista sombria sentiu algo perfurá-las, atravessando-as, o material funesto colocou a perturbada alma desacordada sobre o chão.

— Parece que me aventurar como arqueira serviu de alguma coisa — Jéssica invadiu a tenebrosa casa, cheia de triunfo.

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No próximo capítulo:

Adentrando a enorme mansão com a autorização dos seguranças a mulher encontrou o dono do seu amor sentado no sofá da sala. Sedenta em ouvir a voz daquele que tanto amava ela se apresentou:
— No hospital você pôde me evitar, mas aqui não — aquela cena já havia sido vivida.
— Renata — o rapaz se surpreendeu —. Não acho que seja uma boa ideia conversarmos, você não confia em mim.

De segunda à sexta, às 19h30!

Comentários

  1. Nossa, que reviravolta, essa história está cada vez mais emocionante, incrível, você podia fazer um livro, eu ia amar ter rsrsrs

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