[WebSérie] Sombras do Passado - Capítulo 31



Solução


“Soluções para problemas são difíceis de serem encontradas, é preciso raciocínio, estratégia, determinação”.

Tais palavras e a forma como foram proferidas por aquela voz descomunal arrepiou cada pelo no corpo de Renata, mesmo sabendo sobre o poder que carregava o medo a afligia duramente.
— Podemos resolver isso de outra maneira — focada no olhar aquela que estava em sua frente a alfa soberana disse com a voz rouca e uma tentativa de acordo.
Sem pestanejar Verônica ergueu a mão peluda possuída por enormes garras que substituíam as unhas e esbofeteou o rosto da rival com força tamanha para jogá-la cruelmente sobre o chão.
— Só uma maneira existe para que tudo se resolva — a lobisomem sombria em questão de segundo estava sobre a própria sobrinha, fazendo as garras crescerem ainda mais a prendia contra o chão —, matando-a!
O golpe fatal seria dado na garganta daquela que ainda não atingira todo o esplendor do seu potencial se não fosse Jéssica como um animal feroz pular sobre as costas de Verônica e tentar a todo custo lhe amordaçar com ira.
A veterana estilista sabia bem como usar aquilo que detinha, seu ego não permitiria uma humilhação para algum ser qualquer, ainda mais uma beta. Uivando contra a lua a mulher transformada jogou sua opressora por cima de seu corpo, a intenção que dominava sua mente era estrangular aquela que atrapalhou o seu desempenho, mas Letícia venceu o pavor que até então travava suas pernas e segurou com todas as forças o braço daquele monstro sombrio.
— Renata, ataque! — Raul ordenou energicamente.
Com seus olhos ardentes a estilista focou em sua tia, mas algum sentimento provocou seu recuo, seu semblante demonstrava pavor.
Verônica, já cansada de perder tempo com, sob sua concepção, duas simples betas, foi ágil ao pegá-las pela garganta e levantá-las do chão, erguendo-as como troféus.
— O chocar de suas cabeças será música aos meus ouvidos — a grave voz revelou a cruel intenção —. Nunca tive uma batalha tão fácil.
O caçador mirou naquele ser de sombras pesadas e disparou o raio da dor. A má criatura largou suas vítimas enquanto a dor ardia dentro de si. Um uivo demonstrando o sofrimento foi solto de sua garganta, um uivo também de raiva.
Voltando aos poucos à sua forma humana Verônica correu mata dentro, precisava se esconder.

Já com a forma original retomada as mulheres se sentaram sobre a relva do lugar, cansadas pela energia da transformação e breve luta.
— Perdemos uma oportunidade que tem o mínimo de chance em acontecer novamente — Raul demonstrou seu descontentamento —. Um alfa quando está sozinho é mais frágil, mais suscetível a ferimentos, mais vulnerável a derrota... Tínhamos que aproveitar essa fraqueza de Verônica e encerrarmos a história antes que ela começasse.
— Dei o melhor que pude — ainda ofegante Letícia se defendeu.
— Ainda não consigo usar a força da maneira que deveria — Jéssica desabafou.
— E eu não posso fazer isso — Renata abaixou a cabeça —. Ela por bem ou mal é minha tia, o sangue que corre em suas veias é o mesmo que corre pelas minhas. Eu simplesmente não consigo ferir alguém que possui alguma ligação comigo.
— Ela matou os seus pais na sua frente, ela acabou com a sua vida — Raul não poliu as palavras ao proferi-las —. Talvez você ainda os tivesse ao seu lado. A pior parte é que deixou fugir alguém que não fez mal somente a você, mas a muitos inocentes — o caçador apontou para Letícia.
Observando o rosto da amiga que reluzia certa tristeza Renata suspirou preocupada. Um de seus ideais era não fazer o mal a ninguém, principalmente sendo da sua família, tal sentimento tomou ainda mais força quando conheceu Jonas. Porém, outro ideal era defender aqueles que significavam algo em sua mente. Levantando-se como uma verdadeira líder a Alfa sobre qualquer outro lobisomem perguntou:
— O que eu preciso fazer?
Sorrindo animado Raul respondeu:
— Rasgar sua garganta.
— Quer que eu a mate? — a estilista não conseguiu acreditar de imediato.
— Somente assim evitaremos que ela faça o mal a muitas pessoas, essa é a única solução.
— Precisa haver outra maneira, outro jeito... Podemos simplesmente prendê-la pelo resto da vida.
— Não é assim tão simples, prisões comuns não seguram seres como vocês.
— Então pense em algo, pois matá-la eu não vou.
— Será que ela pensaria duas vezes antes se fosse o contrário?
— Ela é regida por trevas, eu não!

*

Não era uma noite fria, a primeira com cara de verão deixou o clima agradável para que até depois da meia-noite jovens amigos caminhassem pelo parque tão freqüentado. Com piadinhas internas e brincadeiras exclusivas do grupo eles se divertiam como ninguém, a escuridão não os intimidava.
De repente o barulho por entre as árvores os calou. Eram os únicos que ali estavam, algum movimento estranho seria sinônimo de algo errado. Observando com apreensão a sua volta os jovens nada encontraram, talvez fosse apenas o vento, nada que interrompesse a divertida conversa.
Por entre as árvores um ser que eles ilustravam nos tempos de escola e que não passava de lenda surgiu, uivando com raiva, atacando com destreza.

Logo pela manhã daquele novo dia que começava Letícia acordou disposta como nunca havia acordado antes, tanto que decidiu fazer uma caminhada em pleno feriado. Usando uma roupa confortável, carregando consigo uma garrafa d’água e tendo os fones ligados para que o ritmo de suas badaladas músicas impulsionassem o seu caminhar a modelo deu início aquela atitude saudável. Próxima ao parque que também marcou uma nova etapa da sua vida a garota estranhou o movimento diferente que ali tinha, por policiais e agentes da saúde. Aproximando-se mais pôde notar que uma tragédia acontecera, não contento a curiosidade se infiltrou por entre a multidão e encontrou os corpos caídos sobre o chão, ensangüentados ao redor com suas gargantas perfuradas. A mesma cena cruel que teve ao encontrar os pais mortos.
— O que houve? — Raul abriu a porta de seu apartamento se deparando com o pavor no rosto da loira.
— Por que nos ligou para que viéssemos aqui? — Jéssica questionou coçando os olhos sonolentos.
— Foi horrível — a modelo não segurava o choro.
— Então nos conte — Renata pediu —. O que descobriu?
— Eles foram mortos, a garganta foi rasgada... — Letícia tremia incontrolavelmente.
Tal revelação chocou a quem a ouvira. Era como se pudessem sentir a dor de tamanha atrocidade em seus corpos, um sentimento de culpa passou a afligi-los.
— É assim que ela nos atacará — o caçador levou as mãos à cabeça em um gesto de preocupação —. Ela afligirá os inocentes, causará a dor em quem nada tem haver com isso até conseguir o que quer, até conquistar o poder de Alfa dos Alfas.
— Se é isso o que a fará parar... — Renata deu início à fala de sua decisão.
— Nem pense em uma bobagem dessas... Com tamanho poder ela dominará o mundo, instaurará o terror, o sofrimento, sombras cercarão o caminho de todos nós.
— Faremos o quê? — Jéssica perguntou irritada —. Vamos assistir em silêncio as maldades dessa fútil?
— Eu já falei o que devemos fazer, apenas uma alfa mais forte que ela seria capaz de acabar com toda essa ruindade.
— E eu já disse que não — Renata respondeu duramente.
— Para prendê-la precisaremos de um lugar no mínimo amplo, com grades que conduzam eletricidade. Somente assim a manteremos fraca, longe do resto do mundo. Conhece algum lugar que atenda aos requisitos?
— Sim — Renata tinha um olhar travesso —. O porão.
— Ótimo — Raul ironizou —. Acha mesmo que Jonas aceitará de bom grado essa condição sem entender nada?

— Ele vai entender — os olhos da estilista retomaram o vermelho ardente —. Ele vai saber de toda a verdade!

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No próximo capítulo:

Querendo mudar o sentimentalismo da conversa que com certeza causaria emoções em seu coração Jéssica logo indagou:
— Aonde vamos?
— Queria somente conversar com você, andar um pouco na sua companhia.
— Acha importante a minha presença?
Dando início aos passos Eduardo respondeu:
— Sinto a falta dela.

São as últimas semanas de Sombras do Passado!
De segunda à sexta, às 19h30!

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