[WebSérie] Sombras do Passado - Capítulo 32



Perdoar para Viver


“Feliz é aquele que perdoa sinceramente, ama realmente, pois este sabe o que é viver”.

Após a trágica e triste notícia que recebera Jéssica decidiu passar o dia trancafiada no apartamento que dividia com Renata, queria pensar no que havia acontecido, nas mudanças repentinas que a sua vida sofrera desde o aparecimento de alguém do passado até a descoberta do que realmente era. Sua decisão seria totalmente cumprida se não fosse por uma mensagem de Eduardo a convidando para um passeio.
— Não sabe como fico feliz em saber que aceitou o meu convite — o rapaz a recebeu na porta do prédio com um aberto sorriso.
— Vamos levar essa situação como se fôssemos apenas amigos, talvez tivéssemos mesmo que nos contentar com a amizade que existia entre nós.
— Naquela época eu não sabia o que era amar... Não dá para ser amigo de alguém que tanto se ama.
Querendo mudar o sentimentalismo da conversa que com certeza causaria emoções em seu coração Jéssica logo indagou:
— Aonde vamos?
— Queria somente conversar com você, andar um pouco na sua companhia.
— Acha importante a minha presença?
Dando início aos passos Eduardo respondeu:
— Sinto a falta dela.
Estranhamente a modelo conseguia escutar as batidas do coração daquele ao seu lado e em nenhum momento elas se desestabilizaram. Isso só podia significar que ele dissera a verdade.
— Você não me contou como faz para sobreviver já que sua carreira terminou. Precisa de alguma ajuda?
— Na verdade não; voltei para a casa do meu pai.
— Se desfez da que tínhamos?
— Claro que não... É o que mantém as boas lembranças vivas dentro de mim.
— Será que posso vê-la?
— Vamos!
Ao se deparar com o lugar em que começara a sua vida Jéssica sentiu um enorme vazio apertar seu peito. Lembrou-se das muitas noites em que dormiu abraçada a pessoa que tanto amava, das confissões de amor que fizera sob aquele teto, dos momentos de silêncio que eram quebrados pelas gargalhadas de ambos quando decidiam dar início a um ataque de cócegas um no outro. A vida daquele casal era perfeita, não existia monotonia entre eles, a simples combinação fora certeira. Passeando com as mãos pelo portão de ferro se lembrou do triste fim daquela história, quando poderia imaginar que tudo o que vivera não passou de ilusão?
— Deve estar pensando que o que vivemos foi ilusório, mas eu garanto que não foi — Eduardo despertou a mulher de seus devaneios como se lesse sua mente —. Nunca fui mais feliz, nunca poderei ser se não tiver o seu perdão.
Com lágrimas pesadas tentando romper as pálpebras cansadas a modelo se virou ao rapaz, certa em entender tudo o que precisava.
— Sabe que também sinto a sua falta, sabe que durante todos esses anos que passaram não parei de pensar em você se quer um instante, sabe que meu coração não se abriu a ninguém e nem poderia — riu discreta —, ele já é seu, sempre foi, sempre será.
— Então o que está esperando para me perdoar? Por que não me dá uma nova chance, mas dessa vez para lhe fazer a mulher mais feliz desse mundo? Se precisa tanto de mim por que não se entrega aos meus braços?
— Porque eu sinto medo — Jéssica não pôde mais conter o sufocado choro —. Sombras daquele passado me perseguem, não consigo confiar mais da maneira como confiei... Meu coração foi dilacerado em pedaços e não mais se curou.
— Então eu peço com todo meu coração que me permita concertá-lo, curá-lo — Eduardo segurou as mãos daquela que tanto amava e conectou os olhares que se desejavam —. Deixe-me cuidar do ferimento que tem como causador esse arrependido apaixonado.
— Eu não sei...  — a modelo abaixou a cabeça desviando o olhar.
— Por favor — o homem ergueu os olhos da mulher com suavidade —, perdoe-me por tudo.
— Eu... Eu... — Jéssica se sentia cada vez mais confusa, resolveu deixar de lado a razão e respondeu com o coração — Eu já te perdoei.
Como uma criança que abre seu presente e encontra ali o que mais desejava Eduardo recebeu sua resposta, o turbilhão de emoções o colocavam em dúvida se sorria ou chorava, finalmente havia conquista o que mais desejava em sua vida naqueles últimos dias.
Há tanto tempo sem sentir a conexão entre seus corpos Jéssica beijou aquele que tanto amava, esse era o seu desejo desde o dia em que o reencontrara pela primeira vez. Seu coração explodia de alegria por agora poder amar novamente com todas as suas forças.
Separando-se da modelo Eduardo sofreu uma forte tontura, a estranha tosse que veio logo em seguida assustou a mulher que pôde por sua aguçada audição perceber o quando o coração do rapaz batia descompassadamente. Colocando-o sobre seu colo perguntou preocupada:
— O que está sentindo?
Com a fraqueza visível o homem reclamou:
— Minhas costas ardem...
Lembrando-se dos outros encontros Jéssica questionou:
— Essa tosse não foi repentina, o que está acontecendo?
Levando o fraco olhar ao da modelo Eduardo respondeu:
— Estou morrendo... — um filete de sangue corria pela boca do rapaz —. Se o pior acontecer... saiba que te amo.
Desacordado, o homem tombou sua cabeça para o lado. Desesperada, Jéssica tentava encontrar ajuda pelo celular, tudo o que menos queria era perder alguém que amava.

*

Renata nunca achou que violência resolvesse alguma coisa, que a morte fosse a solução para os problemas de alguém, ela acreditava que chances de remissão deveriam ser dadas, mostrar o outro lado da vida poderia ser crucial nesse processo. Por isso sua decisão era deixar a tia sobreviver, ainda que presa por tempo indeterminado, ao menos teria a chance de rever suas atitudes, repensar seus atos, mudar os anseios de seu coração.
Para tal o porão da mansão dos Morgan era  o lugar perfeito, apto para o sistema que montariam e escondido dos olhos do mundo, porém um  alguém muito importante precisava ser convencido.
— Que bom que veio — Jonas recebeu a namorada —. Já estava decidido a lhe fazer companhia, preciso protegê-la.
— Proteger-me — Renata riu divertida —. Adoraria ser protegida por um guarda-costas tão lindo...
— Não me elogie tanto, sabe que meu ego explode.
— Com toda a razão — beijou o noivo —. Vim aqui para lhe fazer uma proposta muito especial.
— Proposta? Sobre o quê?
— Sobre proteger o mundo e seus moradores de alguém sanguinário e egoísta, disposto a ferir quem quer que seja apenas para conquistar todo o poder possível.
Surpreso com o que ouvira o jovem consultor indagou:
— Está falando de Verônica? Sei que fugiu da cadeia.
— Você é esperto — Renata deu uma piscadela.
— Proteger o mundo dela? Não acredito que seja capaz de ferir a muita gente sem que a peguem, ela não é tão profissional assim.
— Seus conceitos serão repensados quando a ver realmente diante os seus olhos, aquela mulher é mais poderosa do que se pode acreditar.
— Como assim?
— Ela não é uma simples humana indefesa, é um monstro cruel. Ela é uma lobisomem.
Rindo divertido Jonas perguntou:
— E como eu, um simples mortal, poderia detê-la?
— Vamos precisar usar o porão. Montaremos um sistema de descarga elétrica que a manterá enfraquecida e incapaz de machucar a quem quer que seja. Vai nos ajudar?
— Acha mesmo que estou acreditando? Isso não passa de lendas, historinhas para assustar crianças.
— Desculpe-me por isso, mas vou ter que lhe assustar.
Dando as costas para o noivo, Renata o deixou intrigado enquanto se concentrava para atingir a transformação. Com o objetivo alcançado a mulher se virou lentamente encarando o espantado homem.
— Ainda não acredita?
Sentindo as pernas bambearem o rapaz apenas conseguiu mostrar a sua surpresa:
— Inacreditável!
— É a mais pura realidade. Verônica está atrás do poder que carrego, apenas o conseguirá me destruindo. Porém até lá muitos inocentes sofrerão, pagarão por sua perversidade... Está disposto a me ajudar a detê-la?
Firmando suas pernas Jonas respondeu corajoso:

— Vamos acabar com ela!

~~~~~~~~~~~~~~~~
No próximo capítulo:

— Lamento em informar, mas todos nós que cuidamos do paciente não acreditamos em sua recuperação, as próximas horas serão as últimas, serão as de despedida.
Como se uma faca atravessasse seu corpo Jéssica chorava amargamente.

De segunda à sexta, às 19h30!

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