[WebSérie] Sombras do Passado - Capítulo 34



Caos


“Em sua frágil arquitetura o caos se arruma”

[21 de novembro de 2016]
Por mais que procurassem por aqueles que sumiram Renata e seus aliados não os encontravam, talvez não pudessem os encontrar, talvez não quisessem ser encontrados. Segundo Raul a solução era esperar, mais cedo ou mais tarde eles iriam ressurgir para o bem ou para o mal.
Desde que Verônica fora presa Renata comprara a Morgan Modas, a empresa que lhe pertencia por direito agora era sua, o objetivo de sua volta ao Brasil estava cumprido. A fim de reerguer a decadente empresa e estilista começou os seus investimentos, logo no início daquela semana marcou testes com candidatos a modelos que seriam avaliados pelos seus próprios olhos.

Erick Parker era descendente de americanos, sua família havia se instaurado no Brasil há não muito tempo, mas o suficiente para se acostumarem com o novo. De aparência jovem parecia ter seus vinte e oito anos, seu porte físico e sua presença no teste para modelos mostravam qual era sua ambição, ou o que supostamente seria.
Estando frente a frente com Renata Button o rapaz se encantou com os olhos castanhos que tão admirável mulher possuía, o sorriso da mesma o encantou tanto quanto o brilho do luar, algo que o fascinava. Ao tocar a mão da estilista em um gesto de cumprimento seu coração pulsou mais forte.
— É ainda mais bonita que nas revistas — as palavras lhe saíram espontâneamente, corando-o.
— Obrigada — Renata respondeu tímida, recebendo aquilo apenas como um elogio —. Como se chama?
— Erick. Erick Parker. Tenho vinte e oito anos.
— O que mais o motivou a participar dos testes? — a pergunta era crucial.
— É um sonho de infância trabalhar com você, além disso preciso ajudar as pessoas de alguma forma, busco uma fonte.
— Dirija-se ao estúdio e nos mostre o que sabe fazer.
Atenta sobre o jovem rapaz a estilista notou alguém de pele clara, mais clara que o habitual, seus cabelos platinados mostravam a vaidade que tinha, os olhos verdes encantavam a quem o olhasse e seus lábios avermelhados desenhavam um belo sorriso.
— Já temos um novo modelo: Erick Parker! — Renata anunciou.
O rapaz não sabia ao certo como reagir, mas o brilho em seus olhos denunciava todo o seu contentamento.
— Não sei como posso agradecer.
— Nos privilegiando com todo seu talento.
Sem deixar escapar o anel que o rapaz usava na mão direita a mulher o indagou:
— Namorada ciumenta? Se for quero conversar com ela e deixar claro que tudo aquilo que for feito é em nome da profissão.
— Namorada? — Erick não entendeu —. Eu não namoro.
— Não? — a mulher indicou o anel.
— Apenas gosto de usar, faz parte do meu estilo. Na verdade faz parte da minha vida — ficando alguns instantes em silêncio observando o delicado rosto da estilista o jovem modelo tomou coragem para fazer sua pergunta: — E você? Namora?
— Estou noiva — a estilista deu em esplêndido sorriso —. Em breve será o meu casamento com alguém que tanto amo!
— Felicidades — Erick perdeu as esperanças quanto ao que sonhava.
— Quanto a você seja muito bem-vindo, faremos um ótimo trabalho juntos!

*

Como estava de folga Jéssica aproveitou aquele dia para treinar ainda mais sua mira. Com seu arco e flecha a arqueira profissional focava em frutas presas nos topos das árvores que estavam ao longo da floresta onde sua transformação aconteceu e as atingia com maestria, seu talento estava ainda mais aperfeiçoado.
Em certo momento sua aguçada audição percebeu pisadas sobre as folhas mortas, eram passos dados com cuidado para que não fossem ouvidos, passos de alguém que se prepara para o ataque. Atenta, a modelo procurava a direção enquanto a sua frente tinha sua arma em posição. O som ficava cada vez mais próximo, cada vez mais audível, cauda vez mais perigoso, cada vez mais sombrio. Perdendo o controle a mulher lançou o objeto que tinha em mãos ao chão, transformando-se na terrível fera uivou iradamente.
— Em sua frágil arquitetura o caos se arruma — Raul despontou por entre as árvores tendo ao seu lado Jonas enquanto mirava em Jéssica com sua arma eletrizante.
— Em sua frágil arquitetura o caos se arruma — Jonas repetiu convicto do que dizia.
— Em sua frágil arquitetura o caos se arruma — ajoelhada sobre o chão a modelo também repetiu, ofegante, enquanto retomava sua forma humana.
— Precisa se controlar mais — o experiente caçador de lobisomens aconselhou —. Lembre-se sempre de que em sua frágil arquitetura o caos se arruma, com toda a sua raiva o controle se faz presente.
— Como soube que me encontraria aqui?
— Aonde mais iria um lobisomem irado? — Jonas respondeu perguntando —. Sabemos que perder Eduardo está enchendo o seu coração de raiva, aqui é o seu refúgio.
— Meu orgulho, aprendeu rápido – Raul elogiou o filho. Aproximando-se de Jéssica o homem se abaixou perante a mulher curvada —. Nós vemos reencontrá-lo, vamos trazê-lo de volta, assim como o meu filho, o meu Pedro...
— Mas para isso precisamos estar preparados – Jonas tinha olhar de guerreiro —. Pode me ensinar a ser um arqueiro?
Levantando-se como alguém certo do que fará a modelo respondeu:
— Vamos furar as testas daqueles que nos desafiaram!

*

Por todo o país cartazes dominavam rodovias, estações de metrô, pontos de ônibus, locais públicos de grande movimentação, anunciando a fuga de Verônica e o valor que seu resgate valia. A forma como a então estilista conseguira a liberdade assustara os policiais, que tinham como prioridade sua captura.
Era mais uma noite pesada na penitenciária na qual a senhora Morgan esteve aprisionada, enquanto as presas clamavam por liberdade os policiais exigiam que se calassem, o mesmo furdúncio de sempre.
Preenchendo papéis e mais papéis o diretor do lugar ouviu alguém bater em sua porta, sem tirar os olhos do trabalho autorizou que entrasse.
— Podemos conversar? — uma voz feminina soou.
— Seja breve, preciso terminar os relatórios ainda hoje — seus olhos ainda não se ergueram.
— Será que pode me dar atenção?
— Pode falar... — o diretor permanecia seu olhar apenas sobre os tantos papéis.
— Olha pra mim! — a mulher gritou dando um soco na mesa, assustando o sério homem —. Reconhece essa ingênua mulher?
Com a tensão o tomando o diretor tentou abrir a gaveta em que guardava seu revólver, mas em vão.
— É isso o que você quer? — a mulher ergueu uma das mãos mostrando o molho de chaves —. Acho que fui mais esperta — seu sorriso era perverso.
— Verônica Morgan! — o homem se levantou prepotente com a mão já no telefone —. Não foi uma boa ideia vir até aqui — também sorriu perverso.
— Ah! Foi sim! — a estilista pressionou o telefone calmamente —. Preciso terminar um trabalhinho.
— A única coisa que conseguirá é voltar para a cela de onde nunca deveria ter saído.
Mostrando as afiadas e assustadoras garras Verônica disse com os olhos avermelhados:
— Acha mesmo que uma cadeia como essa me segura?
Engolindo em seco pelo pavor da visão o diretor se rendeu:
— O que você quer?
— Mande todos os policiais recuarem e me dê as chaves de todas as celas.
— Negativo — o homem respondeu, temeroso.
— AGORA! — Verônica usou a grave voz que seus poderes lhe garantiam assustando ainda mais o homem, provocando, assim, sua obediência.
— Vai me deixar ir? — o diretor questionou entre lágrimas.
— O que você acha? — a ironia declarava a intenção.
Fechando fortemente os olhos aquele homem apenas esperou que a ardilosa mulher rasgasse sua garganta e foi o que ela fez, sem piedade alguma.
Com pensamentos cada vez mais perversos Verônica caminhou pelos corredores de cada cela ordenando às presas que saíssem dispostas a esmagarem todos os policiais que encontrassem pela frente, dispostas a alcançar a liberdade e instaurar o caos.
— Você teve sorte em sobreviver, ou nem tanta assim — a sombria alma estava a sós com uma mulher, encurralando-a num canto —. Lembra-se de quando lhe disse que a faria desejar pela morte?
— Por favor, não faça nada comigo! — apavorada a mulher derramava lágrimas.

— Devia ter me tratado assim antes — aplicando uma injeção em sua rival a estilista sorriu —. Sua morte será lenta e agonizante para você, prazerosa para mim! — a maldade daquela criatura parecia não conhecer limites.

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No próximo capítulo:

Vendo que aquele que sempre subestimou não estava para brincadeiras Egídio resolveu trapacear, colocando Renata como seu escudo proferiu:
— Atire e será ela quem morrerá!

De segunda à sexta, às 19h30!

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