[WebSérie] Sombras do Passado - Capítulo 39



Amar...


“Cada um, ao seu modo, define o que é amar...”

Amar é suportar.
Amar é compreender.
Amar é entender.
Amar é estar sempre pronto a ajudar.
Amar é demonstrar que ama.
Não há vergonha em amar. Não erro em amar. Não há dúvida em amar.
Amar é um emaranhado de definições, todas escritas pelo coração, todas confortando as almas sedentas por amor.
O amor, em suas diversas formas, nunca foi e nunca será um erro. Erro é não saber retribuir.
Amar também envolve reciprocidade.
Amar e ser amado, existe coisa melhor?

*

“Um disparo. Uma vítima. Gritos de dor. Lágrimas de desespero. Passos assustados. Vozes amedrontadas. Uma multidão em círculo, em seu centro um casal: ela sentada no asfalto quente da violenta cidade, ele desfalecido em seus braços enquanto sangrava, enquanto via a escuridão se aproximar.
— Você não pode me deixar, não dessa maneira — a mulher chorava lágrimas de agonia, abraçava aquele ser como se fosse tudo o que tinha, de fato era.
— Não quero deixá-la, não agora que finalmente a conquistei — o homem passeava as costas das mãos no delicado e suave rosto da tão amada pessoa —. Mas minhas forças pouco a pouco se esgotam, pouco a pouco se acabam.
— Eu sabia... Eu sabia que não devia ter perdido tempo com bobeiras, não devia ter sido tão insegura, devia ter aceitado que o amo mais que tudo, devia ter me entregue de corpo e alma.
— Não se culpe dessa maneira — o rosto do ferido já era pálido, a voz começara a fraquejar —. Ao menos ouvi de sua boca o que mais almejei em toda a minha vida...
— Evite esforços, concentre-se em se salvar para mim, para nós — a mulher derramava um choro intenso.
— Deixe-me falar — o homem pediu em meio ao agonizante choro —. Sabia que se parece com um anjo? Seus olhos, sua boca, seu rosto... Tudo em você com traços angelicais... Sua doce voz, não existe som melhor... Seu sorriso, não há visão que se compare... Não é apenas sua beleza celeste que me fascina, mas também sua alma esplêndida, repleta de sabedoria e amor, repleta de sinceridade...
— Tão sábia que me deixou enganar pelas dúvidas do passado, fez-me perder tempo, agora causa em meu peito uma dor tremenda, causa o medo com apenas a possibilidade de lhe perder, sinto-me culpada por não saber amar...
Antes que o afligido pudesse falar algo uma tosse o tomou, a tosse do fim. Lutando por mais alguns segundos de fôlego aquela alma fez o seu pedido:
— Beije-me...
Com o coração apertado a mulher declarou o que deveria ter dito há muito tempo:
— Eu te amo... Para sempre o amarei, passe o tempo que passar...
Selando os ardentes lábios a mulher, pela primeira vez, sentiu o prazer que o beijo daquele que em oculto sempre amou lhe causara, seria o melhor momento de sua vida se em um instante o homem não fechasse os olhos para nunca mais os abrir.
Fim”

Após o agitado dia de trabalho e aventuras ao encarar Verônica, Renata estava em seu apartamento, deitada no confortável sofá, assistindo ao romântico filme “Tempo Perdido” *. Atrás de si Jonas a envolvia em seus braços, também entretido pela envolvente história. O inesperado fim deixou o casal sem reação, os créditos do filme passeavam pela TV enquanto o silêncio dominava o ambiente.
— Você me ama? — Jonas quebrou o transe.
Surpresa pela pergunta Renata procurou as palavras certas:
— Nunca poderei amar alguém da forma com te amo...
— Sabe o que esse filme me ensinou?
— Que não podemos perder tempo ao se tratar de amor?
— Também... — o rapaz se aconchegou no abraço —. O maior ensinamento é de que não devemos nos envergonhar ou intimidar ao demonstrar tão nobre sentimento, seja por atitudes ou palavras é importante deixá-lo à mostra, sem medo algum... Então é bom que saiba que a amo independente de qualquer coisa, sinto que nunca deixarei de lhe amar, a vejo como parte de mim, uma parte fundamental sem a qual a morte será o meu fim.
Querendo sentir ainda mais o calor que emanava do corpo do noivo Renata se mexeu no sofá, de olhos fechados, sentindo as carícias no rosto dadas por aquele que significava tanto em sua vida, a estilista se declarou um pouco mais:
— Até um tempo atrás se a minha vida dependesse de escrever sobre o amor eu não teria palavras para me expressar, afinal meu coração era vazio de tal virtude. Conheci um rapaz atraente, encantador, de fala bonita, que me enfeitiçou com apenas um olhar, prendeu-me a ele com apenas o som da voz, invadiu os meus pensamentos com aquele singelo sorriso... De início tentei me esconder, tentei resistir, mas desde o primeiro toque fui tomada pelo desejo de poder lhe tocar sempre, de ouvir sua voz sempre, de navegar em seu sorriso sempre, de encarar os seus olhos verdes sempre... Hoje em dia se a minha vida dependesse de escrever sobre o amor eu diria que ele é combustível da alma, é o que dá vida ao coração, tira-nos o medo e nos enche de coragem, dá-nos prazeres inigualáveis... Diria que você o representa, porque é tudo isso que sinto estando ao seu lado.
O jovem consultor não pôde conter as emotivas lágrimas, era um “cara” sensível. Nunca, em toda sua vida, sentiu-se tão amado, aquela era a melhor sensação.
— Eu tenho uma surpresa para contar — Jonas se sentou —. É o que desejo desde o primeiro dia em que a vi, é o que venho sonhando.
— E o que seria? — Renata também se sentou, curiosa.
— Nosso casamento está marcado para daqui dois meses! — os olhos do rapaz brilharam com a revelação —. Já está tudo quase pronto, apenas falta você escolher a decoração, fazer a lista de convidados e escolher o vestido...
A estilista nada disse, apenas abaixou a cabeça encarando o vazio do chão e em silêncio permaneceu.
— Renata...? Não ficou feliz?
— Jonas... — a mulher disse fria —. É claro que eu estou feliz! Meu coração está explodindo de alegria! — o semblante comprovava isso.
Ao ver a satisfação e o brilho nos olhos daquela que tanto amava Jonas suspirou aliviado, era apenas mais uma de suas pegadinhas.
Abraçando o noivo como se fosse a única coisa que quis em toda sua existência, Renata deixou as lágrimas de felicidade rolarem em seu rosto. Feliz por fazer a mulher de sua vida feliz, Jonas a encarou nos olhos, tentou encontrar palavras para expressar o que sentia, mas a melhor opção que teve foi lhe beijar apaixonadamente, com desejo, com paixão, com amor...

*

[23 de novembro de 2016]
Erick não era um rapaz mau, invejoso, disposto a atrapalhar a felicidade alheia para alcançar seus objetivos, apenas impulsivo, não conseguia se conter quando se apaixonava, esse era o seu maior problema. Por alguns instantes esteve apaixonado por Renata, já imaginava um filme no qual ele e a mulher formariam o casal protagonista, mas ela já tinha a quem amar, já possuía um amor. A paixão do modelo se acabou, restou a vergonha e o medo por não conseguir imaginar o que aconteceria em relação ao seu trabalho.
Adentrando a Button Modas o jovem tentava não se reconhecido, para tal se escondia por trás dos óculos escuros e um chapéu peculiar o tornava mais “diferente”. Em frente à sala daquela que quase destruiu a vida o rapaz respirou fundo. Colocava a mão na maçaneta, mas não encontrava coragem para abrir a porta, aquela era a mais difícil manhã de toda sua vida.
— Vamos — uma mão pousou sobre o seu ombro —. Eu te ajudo — era Jonas.
Erick ficou ainda mais nervoso, podia jurar que o consultor das empresas Button sentia raiva dele, o que não passava de paranóia.
— Erick — a estilista se pôs em pé —. Precisamos conversar.


Continua...
*Tempo Perdido: filme fictício.
~~~~~~~~~~~~~
No próximo capítulo:

— Desista, você não nos vencerá!
— Desde quando sou mulher de desistências? Não descanso enquanto não estiver com o meu objetivo conquistado.
— Então tente a sorte!
A Morgan corrompida dava gargalhada descontrolada, parecia se divertir com alguma coisa. Levando a mão ao bolso da calça rasgada ela tirou um frasco, abrindo-o declarou:
— Eu juro que queria pegá-los de uma forma mais justa, mas preciso acabar logo com isso.

São as últimas semanas!
De segunda à sexta, às 19h30!

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