[WebSérie] Sombras do Passado - Capítulo 41



Ombro Amigo


“Amigo é aquele que sabe ouvir quando preciso e agir quando necessária. É aquele que não está disposto em nos ter ao seu lado somente nos momentos de bonança, mas também nos de aflição”

Em diversos momentos da vida precisamos de forças que nos permitam passar por maus caminhos, por estradas cheias de obstáculos, por desafios intensos. Seguramos o choro, engolimos o nó formado em nossas gargantas, tentamos aquietar o aflito coração, mas chega uma hora na qual as adversidades são maiores que nossas forças: o choro vem, a voz embarga e o coração se aperta. Sofremos a dor da alma.
Letícia desde que conhecera Jonas alimentava sentimentos de amor para com o rapaz, embora nunca confessasse sabia que não era retribuída, não encontrava nos olhos do rapaz e nem em suas atitudes a reciprocidade, vivia de ilusão. Ao conhecer Pedro as coisas mudaram, um amor a primeira vista que vinha dando certo, um relacionamento que lhe fazia bem, os olhares trocados eram compostos por paixão. A garota se sentia verdadeiramente amada, como também amava aquele garoto, mas o destino cruel mudou os rumos da história, o que lhe restara além de saudade era a dor da alma.
Sentada em um dos bancos na área de lazer da Button Modas a modelo deixava que as lágrimas rolassem após tanto tempo as segurando, ver a real situação na qual seu namoro se encontrava a entristeceu profundamente, principalmente por saber que nada poderia fazer.
De longe Renata avistava sua modelo, logo percebeu o choro. Pensando um pouco antes de tomar a desejada atitude a estilista resolveu se aproximar da garota e lhe ajudar a carregar os fardos.
— Podemos conversar? — a mulher perguntou cordial.
Enxugando as lágrimas do rosto como se quisesse esconder o choro Letícia logo respondeu:
— Desculpe-me, já vou voltar ao trabalho.
— Não precisa se intimidar, quero conversar com você, não me parece muito bem...
Perdendo novamente o controle sobre as lágrimas a modelo desabafou:
— Sinto a falta de uma pessoa.
Sentando-se ao lado da garota Renata cedeu o seu ombro.
— Do Pedro?
— Sim... Eu não imaginava que poderia sentir tanto a falta dele.
— Sempre sentimos a falta daqueles que tanto gostamos, que tanto queremos ao nosso lado. Foi muito bonita a forma como a história de vocês teve início, foi um verdadeiro encontro de almas.
— Mas que agora chegará ao fim. É impossível derrotarmos Verônica, lutarmos contra alguém que controla mentes é surreal!
— Nós somos surreais,então podemos e vamos conseguir trazer aqueles que são nossos de volta para casa.
— Como pode ter tanta certeza?
— Sente-se amiga de Jonas, Jéssica, Raul e minha?
Atenta aos olhos daquela que lhe dava atenção Letícia respondeu:
— Claro...
— Então confie em nós, vamos trazer Pedro de volta para você, juntos somos mais fortes e escreveremos um final feliz para esse capítulo da nossa história.
Aquelas sábias e acolhedoras palavras encheram a talentosa modelo de esperança, como forma de agradecimento ela deu um forte abraço naquela que tempos atrás era vista como rival.
— Depois do trabalho podemos sair para nos divertir. Aceita?
— Renata... Eu preciso pedir desculpas.
— Pelo quê? Não há razão para se retratar comigo.
— Existe sim. Talvez você tenha se esquecido ou apenas deixou no passado, mas sempre que a vejo me lembro do quanto ruim fui com você. Por minha causa quase perdeu a vida, preciso que me desculpe.
— Se isso for lhe deixar mais tranqüila é claro que aceito, mas quero que entenda que não foi sua culpa, você apenas foi dominada por aquela mulher ardilosa que mesmo sem os poderes não perdeu o dom da manipular as pessoas.
— Então apenas me resta aceitar o convite — a modelo sorriu confiante.
— Diversão garantida! — Renata deu um novo abraço na amiga, toda sua atitude apenas provou que seu sentimento de amizade era verdadeiro.

*

Desde que enfrentara Verônica ao lado de Renata, Jéssica não conseguia tirar de sua cabeça o que havia acontecido, como conseguira ver onde Raul e Letícia estavam, era um mistério que ela precisava descobrir e somente uma pessoa poderia lhe responder.
— Entre — o caçador de lobisomens recebeu a modelo com um sorriso no rosto —. Aproveitando os minutos de paz? Nunca se sabe o que vem a seguir.
— Aproveitando e muito — a mulher se sentou no sofá da sala, cansada —. Preciso que me explique uma coisa.
— Pode falar.
— É possível um lobisomem ter visões?
— O que quer dizer? — sentou-se na poltrona à frente, tomando mais um gole do café quente.
— Quando fomos lhe resgatar uma espécie de flash se passou pela minha mente mostrando onde estava, desde então fiquei curiosa por saber o que significa.
— Acho que sei o que é. Em situações de perigo você poderá ver outros cantos de um ambiente, como uma telepata.
— E isso é bom?
— É simplesmente ótimo — sorriu —. Servirá de grande ajuda nas próximas aventuras.
— Pelo jeito já prevê novos ataques...
— Eu não prevejo — o caçador focou seus olhos no retrato de Pedro —. Eu sei!

*

Intencionando conseguir mais aliado na guerra que se formava no mundo sobrenatural Raul fez mais uma visita a Egídio, no porão da mansão Morgan.
— Ainda aqui? — o caçador ironizou ao encontrar seu prisioneiro nas mesmas condições —. A essa altura Verônica já deveria ter mandado seu exército para lhe salvar, não acha?
— Ela virá — Egídio respondeu abatido —. Eu sei que virá.
— Não seja tão ingênuo. Aquela mulher não precisa mais da sua ajuda, já tem os membros que queria para sua alcateia, esqueceu-se da sua existência.
— Isso não é verdade! — o prisioneiro ergueu a voz —. Se quer me convencer a traí-la e me juntar ao seu bando esqueça, não vou!
— Se eu fosse você pensava com carinho — Raul se aproximou mais daquele que lhe provocava ira, os olhares enraivecidos se encaravam.
— Seu tempo está esgotando, não é? Por isso quer tanto derrotar aquela que sempre lhe causou o sofrimento.
Abaixando a cabeça o homem foi até a máquina geradora de eletricidade, sem piedade alguma soltou uma descarga mais intensa fazendo seu inimigo se contorcer de dor. Entre os gritos de sofrimento o grito do caçador:
— Como posso tirar o meu filho do transe?!
— Descubra sozinho! — Egídio derramava lágrimas, mas não cedia.
Irritado, Raul aumentou a descarga um pouco mais, elevando o sofrimento.
— Responda como tirar o meu filho do transe!
Vendo que não aguentaria muita coisa o sombrio ser respondeu:
— Usando o mesmo poder! — desmaiou pela dor.
O homem cessou a tortura, já tinha a reposta que queria.
— Preciso de um vampiro!

*

[1950]
<<Floresta dos Alfas>>

Verônica aparentava ser um pouco mais nova do que nos dias atuais, embora a diferença não fosse tanta. Naquela época sua sede por poder estava em seu ápice, sua obsessão lhe resultou em uma poderosa alcateia de mentes perturbadas pelo seu domínio, todos pertenciam a ela e eram treinados para o combate.
— Soberana, temos visita — um de seus súditos a chamou —. Ele tem urgência.
— Já vou.
Naquele lugar escondido da civilização uma verdadeira fortaleza havia sido construída, era dali que saía os perversos planos da ardilosa mulher.
Frente a frente aquele que fora lhe visitar Verônica se surpreendeu:
— O que faz aqui? Não prefere solidão ao contato com os demais? Espero que tenha mudado de ideia e visto que nossos poderes juntos são mais fortes.
O homem usava uma capa sombria e escondia o rosto atrás de uma máscara, em suas costas o conhecido arco e flecha.
— Quero dizer que suas atitudes sangrentas veem me causando ódio. Pessoas que nada tem haver com seu objetivo estão pagando, sua luta não será mais contra aqueles que possuem o que almeja, será comigo.
— Acha mesmo que me põem medo? Pessoas como você me divertem! Pensam que podem contra mim, mas sempre acabam me servindo por refeição — seu comentário nojento era ainda mais sujo misturado à risada perversa.
— O recado está dado — o tom de voz do misterioso homem era cercado por suspense.
Dando às costas para Verônica os passos daquele ser foram interrompidos pela revelação da mulher:
— Eu sei o seu segredo, eu sei quem você é — veloz, a Alfa Sombria se colocou atrás de seu visitante, tocando-lhe o ombro —. É o Lobo Solitário, aquele que pode causar tanto a paz quanto o caos.

Aquilo ninguém sabia. Ninguém poderia saber...

~~~~~~~~~~~~~~~~
No próximo capítulo:

Quebrando o entusiasmo do momento o alarme instalado no celular de Jonas despertou e com ele a ruim notícia:
— Verônica invadiu o porão!

Nesta terça, às 19h30!
É a última semana!

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

"Amar é mudar a alma de casa"

A Brevidade da Vida

Aflições na Alma

Flores aos mortos

[Conto] Eternizados Pelo Amor