[WebSérie] Sombras do Passado - Capítulo 42



Ausência do que é Humano


“A perda da essência humana pode ter origem em alguma decepção, algum terrível sofrimento, alguma cicatriz, ou simplesmente na ambição, no desejo de ser mais do que os outros, no sentimento egoísta”

[27 de novembro de 2016]
Era uma noite tranqüila de sexta-feira, as estrelas faziam do céu uma obra de arte natural enquanto a lua era a personagem principal. Sentados na grama do parque que marcara suas vidas os parceiros de Renata a esperavam ansiosos, já que uma surpresa lhes seria dada. Logo a estilista chegou tendo ao seu lado o noivo e mais uma pessoa, um novo amigo, o que teria grande importância não somente no mundo dos negócios como também na luta que ficava cada vez mais demorada no mundo sobrenatural: Erick Parker.
— Sinto-me honrada por estarem tão curiosos, sinto o cheiro da ansiedade — a mulher os divertiu.
— Seria essa reunião ao ar livre para decidirmos o próximo passo na guerra? — Letícia perguntou depressa, o que mais queria era enfrentar aquela que lhe causava a dor e resgatar aquele que lhe pertencia.
— Eu não diria o próximo passo, diria reforço na guerra.
— Por acaso esse reforço vem do novo modelo? — Jéssica pensava rápido, logo decifrou o que aconteceria.
— Sim, vem.
— Então ele é como vocês? — Raul questionou.
— Não exatamente — Jonas respondeu —, mas o que ele é pode causar um espanto repentino.
— Parando de enrolação vamos logo ao que interessa — Renata decidiu —. O Erick é um vampiro.
Como previsto os três criaram uma feição de susto, espanto, sabiam que aquilo era fora do normal, não poderiam criar uma parceria.
— Antes que digam alguma coisa quero deixar claro que as leis do mundo sobrenatural não se aplicam a nós, ele não irá tomar o nosso sangue e nem nós rasgaremos sua garganta, vamos nos juntar e derrotar o nosso inimigo em comum.
— Não sei se é uma boa ideia — Jéssica manifestou o seu pensamento —. As histórias sempre foram bem claras...
— Lobisomens e vampiros nunca se deram bem — Letícia concluiu.
— Vocês vão mesmo se basear em histórias criadas para assustar crianças? — Erick surpreendeu com a pergunta —. Será que não podem criar a própria realidade, passar por cima do costume e viver aquilo que são?

“[...]
Vendo que não aguentaria muita coisa o sombrio ser respondeu:
—Usando o mesmo poder!
O caçador cessou a tortura, já tinha a resposta que queria:
— Preciso de um vampiro!
[...]”

Tendo aquela lembrança Raul usou sua sabedoria:
— As leis, as rixas e as rivalidades são levadas a sério no mundo normal, no mundo em que a maioria apenas quer se dar bem, no mundo em que os reais valores são ignorados. No mundo sobrenatural as coisas são diferentes, aprendi que com a solidão apenas existem sombras que nos sufocam e causam nossa própria ruína, que a acepção causa a destruição. Nosso inimigo é alguém poderoso, farto de forças e sedento por mais, nossa união apenas nos fortalecerá! Querem salvar seus amantes? Confiem nesse rapaz, ele é a solução!
— Não quero acabar com suas expectativas, mas não sei se minha ajuda Serpa tão grande — o modelo declarou.
— Consegue ler mentes? — o caçador indagou com um sorriso no rosto.
— Da maioria — Erick respondeu acanhado.
— Então sua ajuda será sim grande!
Quebrando o entusiasmo do momento o alarme instalado no celular de Jonas despertou e com ele a ruim notícia:
— Verônica invadiu o porão!

*

Como um animal enraivecido Verônica correu pelas ruas da cidade usando as sombras mais intensas das calçadas querendo se esconder dos olhos humanos. Com facilidade invejável pulou o muro da mansão onde viveu por anos sem  ao menos ser notada pelas câmeras. Caminhando vagarosamente pelo jardim sentiu a presença de alguém atrás de si, com a feição da fera medonha que era a terrível criatura se virou bravamente, com apenas um tapa usou as arrepiantes garras para rasgar a garganta da empregada que intencionava lhe dar uma pancada na cabeça.
— Amadores... — reclamou.
Não precisando de muito esforço arrancou a metálica porta do porão, lançando-a ao longe com fúria.
— Egídio! Não acredito que foi pego por um bando de crianças. Como pode um homem tão inexperiente ficar trancafiado em um sistema de segurança tão banal?
— Se acha banal fique no meu lugar — o homem respondeu, sua voz estava fraca.
— Estão judiando do meu cachorrinho? — Verônica passeou pelo lugar parando ao lado do gerador de eletricidade —. Como que isso funciona?
— Eles acionam o botão vermelho e giram o preto... Já pode me tirar daqui?
— Tirar você daí? — a sagaz mulher passeou os dedos pela máquina de tortura —. Acha mesmo que quero lhe tirar daí?
— Qual é a sua intenção? — Egídio começou a se preocupar, conhecia bem os olhares daquela com qual passara grande parte da vida e notou uma perversidade cruel.
— A vida é feita de necessidades — a lobisomem acionou o botão vermelho —, e eu não preciso mais de você — girar o botão preto até sua capacidade máxima foi o próximo passo da estilista, a terrível estilista.
O também perverso homem sentiu seu corpo ser atravessado por fogo, a dor que sentia era descomunal e seus gritos de desespero não eram suficientes para lhe expressar. Assistindo ao sofrimento daquele que trabalhara junto a ela Verônica gargalhava, parecia sentir prazer com a tortura, de fato sentia.
Em certo momento as grades se romperam, a intensidade da descarga causou uma explosão lançando Egídio violentamente ao chão, ele se contorcia, agonizava. O impacto da explosão também foi sentido por Verônica, porém com menor intensidade, a mulher apenas sofrera uma queda, mos logo se pôs em pé. Aproximando-se do homem que as poucos morria a Alfa Sombria se ajoelhou, tendo nas mãos uma afiada espada tirada da bainha presa à sua calça.
— Para não dizer que sou totalmente má — iniciou o discurso conhecido — vou adiantar as coisas — com apenas um golpe dado pela mulher, Egídio teve os membros superiores e inferiores separados por um corte cruel —. Agora saberão do que sou realmente capaz!

*

Apreensivos, Renata e seus amigos chegaram na mansão convictos de que Verônica havia libertado o seu comparsa. Adentrando o porão se arrepiaram dos pés à cabeça com a terrível cena que se apresentara perante os seus olhos.
— Nem um sentimento humano a não ser o de ambição, é essa mensagem que a criatura mais perversa que passará pelas suas vidas quer passar — Raul decifrou o enigma conferindo a pulsação da vítima —. Acreditem, ela matou um dos dela, coisas piores poderão acontecer.
— Essa mulher simplesmente não tem limites — Jonas se assustou —. Como não notei nada antes?
— Ela se faz de boa moça quando na verdade está pronta para abocanhar sua presa — Erick comentou.
— Esse aviso quer dizer que coisas piores acontecerão, que inocentes pagarão por aquilo que não lhe damos, o caos será instaurado, as sombras possuirão cada canto do mundo — Renata tinha a preocupação e o medo sustentados em cada palavra dita.
— Precisamos salvar Pedro e Eduardo antes que aconteça algo com eles — Jéssica alertou sobre o previsível.
— Com certeza acontecerá — Letícia concordou temerosa.
— Vocês tem razão — Raul sustentou o pensamento —. Erick, está disposto a enfrentar alguém que no passado instaurou a dor e o sofrimento em sua vida?
— Agora mesmo!
Todos entraram no carro do caçador equipado com os mais diferentes armamentos, mas quando Jonas foi se sentar no banco do motorista seu pai o interrompeu:
— Fique aqui.
— Eu vou! — o rapaz insistiu —. Quero lutar ao lado daqueles que amo.
— Eu quero que fique aqui e isso é uma ordem — Raul usou sua autoridade sobre o filho.
— Qual é? Nunca esteve em minha vida, nem ao menos sabia da minha existência, agora quer distribuir ordens?!
Ouvir as duras palavras deixaram o caçador com um semblante de espanto. Percebendo o que acabar de falar o jovem consultor se calou, sem declarar coisa alguma voltou para trás, sem ao menos dizer um “boa sorte” àqueles que gostava. Não havia tempo para reflexões ou discussões, Raul simplesmente deu a partida e começou seu percurso.


Continua...

~~~~~~~~~~~
No próximo capítulo:

— Quanta audácia! Acha mesmo ser capaz de destruir alguém que domina mentes? Acha mesmo que lutar contra alguém capaz de cortas um dos seus ao meio é a coisa certa a se fazer? — a Alfa Sombria encarou sua ouvinte com frieza — Seu silêncio diz muita coisa e eu te digo outra: quando não puder contra eles, junte-se a eles! — os horripilantes olhos vermelhos de tão cruel alma irradiavam perversão.

É nesta quarta, às 19h30!
São as emoções finais!

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

"Amar é mudar a alma de casa"

Aflições na Alma

A Brevidade da Vida