[WebSérie] Sombras do Passado - Capítulo 43



Libertação


“A liberdade é algo indefinível. Ela pode estar no modo físico ou no emocional, no que ninguém enxerga. Quantos querem ser livres daquilo que os privam de viverem novas histórias?”

Já beirava a madrugada. A brisa da noite era mais gélida, sobre a superfície dos carros o vapor se condensava. A lua irradiava o seu fulgor sem dificuldade alguma, as estrelas exibiam seu brilho sem que nuvens as pudessem ofuscar. Conforme adentravam a Floresta dos Alfas, Renata e seus companheiros sentiam a apreensão da noite, tudo poderia acontecer, coisas boas ou coisas terríveis.
— Verônica! Sabemos que está aqui. Apareça! — no centro da floresta Raul gritava na esperança de chamar a atenção da inimiga.
Após o eco que a potente voz do caçador criara no ambiente envolto por grandes árvores e relvas molhadas um silêncio dominou cada área, aqueles que tinham poderes sobrenaturais podiam escutar as batidas aceleradas dos corações uns dos outros além de farejarem o medo. Toda a angústia era causada por estarem em território inimigo.
Atentos a cada canto da floresta os combatentes puderam ouvir passos por entre as árvores, o som sobre as folhas caídas denunciavam que alguém se aproximava. Um riso sombrio soou, a medonha criatura surgiu já transformada, exibindo a monstruosidade do corpo. Da grave voz saíram as palavras:
— Vejo que decifraram o meu recado... Se fiz aquilo com alguém que fazia parte da minha própria alcateia imaginem o que posso fazer com pobres inocentes. Vão mesmo pagar para ver?!
— Sabemos bem o que você quer, mas também sabemos que alcançado o objetivo você transformará o mundo dos homens em um inferno — Renata se colocou perante aquela que no passado aniquilou os seus pais perante os seus olhos, a pior cena de toda a sua vida —. Não vamos entregar a você a vida dos inocentes, antes acabaremos com a sua mesmo que custe a nossa!
— Quanta audácia! Acha mesmo ser capaz de destruir alguém que domina mentes? Acha mesmo que lutar contra alguém capaz de cortas um dos seus ao meio é a coisa certa a se fazer? — a Alfa Sombria encarou sua ouvinte com frieza — Seu silêncio diz muita coisa e eu te digo outra: quando não puder contra eles, junte-se a eles! — os horripilantes olhos vermelhos de tão cruel alma irradiavam perversão.
O grupo de amigos se colocou um ao lado do outro como se construíssem alguma barreira, juntaram as mãos e em uníssono declararam:
— Juntos somos mais fortes!
A firmeza com que proferiam cada palavra acelerou o coração de Verônica, que não esperava por aquilo.
— Confesso que me emocionaram, pena que não tenho tantos sentimentos assim... — gargalhou —. Unam-se com o mundo todo se quiserem, mas adianto que não será suficiente.
— Como pode ter tanta certeza? — Raul questionou —. Já perdeu tantos embates contra nós, acha mesmo que continua invencível?
— O Lobo Solitário – tal anúncio da sombria estilista estremeceu o corpo do caçador —. O poder dele unido ao de uma Alfa — o tortuoso dedo de Verônica apontou para a sobrinha — é capaz de me derrotar... Mas onde está o poderoso ser? — a ardilosa mulher fitava Raul como se a resposta fosse vir dele —. Desde nosso último contato nunca mais o vi e nem ouvi falar o seu nome. Será que a solidão o matou? Talvez ele esteja disposto em ver a morte daqueles que nada tem haver com a história sem mexer um dedo, sem arriscar sua vida em defesa dos mortais indefesos.
— Do que está falando? — Renata indagou.
— Da criatura que pode causar tanto a paz quanto o caos — uma gargalhada estridente soou da garganta de tão cruel criatura —. Chega de conversa, vamos à luta!
Estalando os dedos Verônica convocou aqueles que se colocavam no fogo por ela, aqueles que eram dominados pela sua perversidade.
Descobrindo o rosto coberto pelo capuz Erick deu um passo a frente, enfrentando aquela que odiava ser desafiada.
— Até quando manterá sua covardia? Até quando se esconderá atrás dos outros enquanto busca instaurar o terror?
Atenta a cada gesto do rapaz e focada em seu olhar a lobisomem logo entendeu tudo:
— Vejam só, uniram-se ao vampirinho sortudo, aquele que foi livre da minha mordida graças à Léia, naquele que hoje eu extermino o serviço! — a criatura uivou enfurecida deixando a mostra suas presas.
— Não dessa vez — abrindo os braços o jovem modelo parou o tempo, sabia que o efeito duraria pouco, por isso precisava ser rápido —. Vocês dois, agarrem-se naquilo que mais importa em suas vidas, eu sei que não são esses seres corrompidos pela maldade, eu sei que em cada coração existe o desejo de fazer o bem, de ajudar a quem for, de amar com todas as forças aquelas que dominaram seus sentimentos. Vocês são fortes, capazes de saírem dessa escuridão atormentante, conheço a história de cada um. Não é fácil, eu sei, mas também sei que não é impossível. Lembrem-se de quem são, do que querem, do que precisavam. Saiam das sombras. A luta é contra suas mentes, a arma é o amor, sim, aquilo que vocês amam!
Cansado, Erick fechou os braços, caiu ajoelhado sobre o chão, sentiu o suor escorrer por sua testa, percebeu a volta do tempo.
Caídos de quatro sobre o chão Pedro Eduardo tinham os olhos fechados, trancados, a adrenalina tomava seus corpos, a força os dominava, as mentes antes escuras agora se clareavam.
Percebendo a falta de domínio sobre os dois jovens Verônica se desesperou.
— O que está havendo? O que fizeram?!
Levantando a cabeça e notando que as coisas deram certo Erick respondeu ainda ofegante:
— Os libertamos! — sorriu vitorioso.
Como um cão furioso a lobisomem rosnava, como um lobo pronto para o ataque uivava apavorantemente.
— Transformem-se! — Raul ordenou por entre os dentes —. Protejam seus dois amigos, se preciso ataquem a criatura, mas não a encarem nos olhos!
Prontamente obedeceram. Letícia e Jéssica correram ao encontro daqueles que significavam tanto em suas vidas, enquanto Erick permanecia ao lado de Raul recuperando o fôlego e Renata se atentava à tia.
— Acha mesmo que ajudar ao próximo significa alguma coisa no nosso mundo? Aqui é cada um por si, lutar a favor dos seus amigos apenas lhe custará a morte!
A imagem daquele mosntro correu contra Renata, que mantinha os olhos fechados. Erguendo-a do chão pela garganta Verônica a prensou com fúria sobre uma das tantas árvores, enforcando-a.
— MORRA! — a maldade imperava na voz de tão assustadora mulher.
— Antes de morrer eu a mato! — pela primeira vez a mulher que reunia amigos, que esbanjava simpatia, sempre disposta a ajudar a quem fosse, falara em morte, falara em matar.
Reunindo suas forças a admirada estilista grudou na mão que a enforcava, arrancando-a de sua garganta. Sem ressentimentos chutou a barriga de sua opressora com força tamanha para lançá-la contra as outras árvores, que sofrendo tão grande impacto se quebraram ao meio. Colocando-se em pé a Alfa sobre qualquer lobisomem proferiu enraivecida:
— A única coisa que faz é instaurar o terror, o ódio, a maldade. Estou farta do seu império, ele vai cair!
Sentindo alguns de seus ossos se curarem Verônica se levantou do chão, sangrando em alguns cortes, sentindo a dor. Aproveitando que sua rival mantinha os olhos fechados correu ao seu encontro, esquecendo-se dos outros inimigos.
Percebendo a intenção da Alfa Sombria, Jéssica correu ao ataquem lançando a tirana ao longe. Chocando-se novamente a uma árvore a terrível mulher dominada pelos sentimentos de trevas não controlou sua fúria, veloz se aproximou da modelo, segurando-a com as duas mãos a ergueu do chão dando sua ordem:
— Abra esses olhos!
Jéssica fazia força, mas em vão, Verônica prendia-a mais.
— Se não abrir esses olhos a matarei!
A decadente estilista apertava cada vez mais forte sua vítima, estava disposta em lhe destruir.
Mirando as costas daquela que trazia consigo o caos, a destruição, Raul disparou sua bala de prata, acertando-a em cheio.
Agonizando, Verônica soltou a modelo caindo de joelhos sobre a relva, suas costas ardiam em brasa viva, seu grito de dor e desespero era intenso, ensurdecedor. Deitando sobre o chão a criatura das sombras disse suas últimas palavras enquanto cuspia sangue:
— Nada é tão lógico...

Um enigma a ser decifrado? Agora não importava mais, o pior já havia passado. Os amigos juntos se abraçaram, juntos escreveram uma parte feliz da história, juntos se aliviavam das tensões, sentiam as sombras se dissiparem.

~~~~~~~~~~~~~
No próximo capítulo:

— Parece que finalmente vamos viver a nossa história... Estava pensando e acho que já podemos voltar a morar juntos.
Soltando a mão do rapaz e dando uns passos a frente Jéssica surpreendeu:
— Não acho que seja uma boa ideia. Pelo menos não por enquanto.

Nesta quinta, às 19h30!
São os últimos capítulos!

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

"Amar é mudar a alma de casa"

A Brevidade da Vida

Aflições na Alma

Flores aos mortos

Que a gente saiba florir, onde a vida nos plantar!