[Especial] Bullying



Bullying pode ser explicado como violência física ou verbal destinada a alguma pessoa – ou grupos de pessoas – por outros indivíduos. Desde piadinhas humilhantes até agressões com gravíssimas consequências, o problema se manifesta de diversas maneiras e, pela falta da devida importância, só faz crescer o número de vítimas.

Qualquer um, por qualquer motivo, pode sofrer o ataque, pode conviver com ele em silêncio, angustiando-se conforme o tempo passa, privando-se da exposição ao mundo, isolando-se em seu próprio refúgio. Talvez por medo ou vergonha as vítimas preferem se manter caladas, sentem-se incapazes de lutarem – não com violência – com seus opressores.



Ele pode acontecer em qualquer lugar, com qualquer grupo, mas onde mais temos visto casos de bullying é na escola, local que deveria formar um nobre cidadão acaba sendo o palco para a origem do problema, mas a culpa não é inteiramente da instituição – isto porque ela tem sua parcela de importância no combate e prevenção. Infelizmente, em muitos casos, os pais ou demais adultos responsáveis por aquela criança/adolescente ignoram o silêncio receoso, deixam de investigar os fatos e tendem a julgá-los, erroneamente, como “coisa de criança” ou “drama desnecessário”.

Algumas ações são, de fato, apenas brincadeira como, por exemplo, alguém que está correndo pelo pátio, tropeça, cai e causa a gargalhada dos colegas, o indivíduo sabe que foi engraçado e, ainda que constrangido, tende a se levantar e seguir em frente. Porém, se esse mesmo indivíduo passar a receber zombarias em demasia por conta do que aconteceu tende a se sentir envergonhado, acanhado e, aos poucos, procura se isolar. Essa é a diferença entre “brincadeira” e “humilhação”. A “brincadeira” apenas faz rir, a “humilhação” assusta e isola – isso é bullying.
O exemplo foi bem prático e até um pouco fora da realidade, mas foi somente para que entendamos o problema. Logicamente, as formas de agressão são muito mais sérias e vão desde o corte do cabelo até o peso, desde o uso de óculos até o modo de se comportar. A maior consequência, o resultado mais notório, é a vergonha que a vítima passa a demonstrar sobre si mesma, é o desejo constante por mudar o que vê diante o espelho e a infelicidade por, em muitas vezes, não o alcançar. Problemas como esse são sérios e devem ser estudados, analisados, não banalizados ou tidos por “drama”, “modinha”. Há casos e há casos.



O opressor ganha força a partir do silêncio do oprimido e do silêncio ou zombarias das testemunhas; ele se sente popular, “respeitado”, pensa que é capaz de impor aquilo que vê como certo, legal e divertido. A partir do pressuposto surge uma nova solução além do tratamento dado a oprimidos e opressores, direto da Finlândia, conheça o KiVa.

KiVa – acrônimo de Kiusaamista Vastaan, que quer dizer “contra o bullying” em finlandês – foi desenvolvido na Universidade de Turku, no sudoeste do país e hoje já abrange 20 países. Seu objetivo é incluir as testemunhas nas “investigações” e conscientizá-las sobre seu importante papel nas ações em que apóiam o agressor, seja pelo silêncio ou pelo apoio das risadas. O foco é deixar o opressor sem público, sem “espetáculo”.



O programa visa ainda a prevenção em aulas de quarenta e cinco minutos, duas vezes por mês, que ajudam os alunos a diferenciarem uma atitude aceitável de atitudes agressoras. A prevenção também é levada aos pais e professores, para que não banalizem o bullying ao ponto de o consideraram “normal” e cultivarem o pensamento de que “as crianças que se resolvam”.
Para se ter uma ideia do sucesso do projeto que aos poucos chega à América Latina, desde 2009 a Finlândia vê os casos de agressão – física ou verbal – caírem em até oitenta por cento!


Mas é claro, o combate está nas mãos de todos nós. Primeiro, jamais devemos ficar calados, segundo, conscientização é o melhor remédio e terceiro, não podemos naturalizar o anormal, não podemos banalizar o trágico – lê-se preconceito em suas variadas formas –, em proporções maiores o bullying pode gerar a morte.

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