[Especial] Feminismo



Diferentemente do que muito se apregoa o feminismo nunca buscou o privilégio das mulheres sobre os homens, nunca assumiu a posição de “sinônimo do machismo”, antes buscou a partir de suas ideologias a equidade entre os gêneros. Para entendermos o feminismo precisamos saber, antes de qualquer coisa, que o seu foco é a busca pelos direitos da mulher, aquilo que ela pode e deve usufruir, precisando, para tal, desmanchar a imagem do que é mulher pintada por uma sociedade machista que perdura por muito tempo.

As 3 ondas
O movimento feminista apresenta três pontos importantes, três períodos que o estruturam.


A primeira onda acontece durante o final do século XIX e início do século XX quando a mulher era vista como propriedade do homem (marido ou filhos) e os casamentos eram arranjados, ou seja, ela não podia escolher com quem se casar, essa era uma decisão tomada por seu pai. Começaram, então, as lutas para reverter essas situações além de conquistar os mínimos direitos como, por exemplo, o direito ao voto (participação na política do país), assegurado no final do século XIX.


A segunda onda ocorre na década de 60 até o final da década de 80, quando o aperfeiçoamento de métodos contracepcionais desvinculou o sexo do ato de procriar. A partir daí as desigualdades culturais e políticas entre homens e mulheres passaram a ser vistas como questões ligadas intimamente, sendo assim a busca por direitos iguais se intensificou. As feministas começaram a incentivar as mulheres a saírem às ruas e lutarem pelos direitos assegurados em seus países, livros de autoras que tinham por objetivo mudar a visão da sociedade sobre o papel da mulher serviram como instrumento nesse incentivo. Além de frases como “Liberação das mulheres”, outro ícone dessa onda foi a feminista Simone Beauvoir, que lançou o famoso O Segundo Sexo, livro que pautou movimentos feministas e dentre seus argumentos estava o de igualar homens e mulheres. Essa foi a melhor fase do movimento, que resultou no surgimento de políticas de igualdade e na criação de órgãos de defesa dos direitos da mulher.


A última onda acontece na década de 90, quando houve discussões acerca do que é melhor para a mulher, desvinculando dela o fixo papel de “rainha do lar”; também aconteceram discussões sobre questões culturais, sociais e até raciais, promovendo a participação da mulher negra na sociedade. A partir dessa onda o feminismo também passou a apoiar outros movimentos que lutavam por diferentes causas sociais, como os de grupos de defesa aos direitos de gays e os que lutavam pelos negros.

Nos países desenvolvidos os resultados foram bons, porém nos países subdesenvolvidos a luta continua intensa, já que pelo atraso cultural, segundo as feministas, eles ainda tratam a mulher como uma classe inferior dentro da sociedade.

Mudanças na história


O movimento feminista foi responsável por grandes reviravoltas na sociedade. Dentre os pontos podemos citar o direito ao voto que foi garantido às mulheres, se antes elas tinham que aceitar os rumos da política de seus próprios países ditados pelos homens, hoje elas podem participar ativamente das decisões.
Outros direitos importantes foram o do aborto quando a gravidez acontece por consequência da violência sexual e do uso de métodos contraceptivos, já que a mulher, de uma forma bastante equivocada, era vista apenas como procriadora da espécie.
Com as manifestações que aconteceram ao redor do mundo surgiram leis de proteção à mulher e contra o assédio sexual e violências do mesmo teor, os opressores passaram a ser punidos com maior rigor (isso em locais onde a lei realmente sai do papel). O avanço nas leis trabalhistas também favoreceu a mulher que se torna mãe com a criação da licença-maternidade, por exemplo, e em alguns países o salário entre homens e mulheres que desempenham a mesma função tendo os mesmos requisitos passou a ser igualitário.

Momento da reflexão
Existe um grande preconceito quanto ao feminismo como falamos no começo do post, a errônea ideia de que feminismo é o sinônimo de machismo leva a muitos a acreditarem que o movimento ideológico seja uma ameaça para a sociedade enquanto que sua principal missão é criar um lugar justo para homens e mulheres.

Se não fosse a força do movimento ainda viveríamos em uma nação onde as mulheres só poderiam sair acompanhadas e seu trajeto de lazer se resumia nas idas à igreja, assim o templo religioso serviu de ponto de encontro a casais apaixonados que desejavam viver juntos, mas que por causa da rígida e machista sociedade não o podiam, tal situação já serviu de pano de fundo para muitas histórias e novelas. Se não fosse o feminismo a luta de mulheres – e até homens que descordavam da realidade – talvez o único direito da mulher seria ficar calada e acatar as ordens dos chamados “superiores”, aceitar as coisas sem opinar e viver para satisfazer os caprichos do sexo oposto.

É claro, todas as origens possuem suas vertentes extremistas, porém a maioria não deve ser culpada pelas ações de alguns. O feminismo em sua origem, em sua raiz, apenas quer direitos iguais entre homens e mulheres, com os mesmos poderes e deveres dentro, claro, das limitações de cada um. O verdadeiro feminismo jamais irá apregoar a superioridade da mulher sobre o homem, caso contrário cairia em contradição quanto a sua filosofia que se resume em igualdade.

Infelizmente muitos preferem criticar acidamente ao invés de se informar sobre o assunto e é por esse dentre outros motivos que o movimento sofre tantos preconceitos. Vamos nos informar acerca dos acontecimentos, esse é o passo fundamental para que exerçamos nossa liberdade de expressão.




Leia também: Desigualdade de Gênero

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