[WebSérie] Romântico Anônimo - Capítulo 08



Capítulo 08


Próximo de dar o seu primeiro beijo, um passo importante em sua vida, um passo que era também bastante aguardado, Gustavo voltou em si afastando-se da garota, constrangido, envergonhado, desconcertado.
— Está tudo bem? — Gabriela estranhou o repentino silêncio.
— S-sim — gaguejou, respirou fundo e retomou o controle sobre a gagueira que sempre o incomodava em momentos de nervosismo —. Podemos continuar?
— Claro — ela abriu um sorrido, o mesmo que insistia em prender os olhos de seu admirador —. Só quero que você saiba de uma coisa — procurou a mão do amigo juntando os dedos —, você me proporcionou os melhores momentos. Há muito tempo eu não fazia um passeio assim.
Se Gabriela pudesse enxergar veria as covinhas infantis que se formaram nas bochechas coradas do garoto, que respondeu ao comentário:
— Amigos são para essas coisas.

Após um dia que poderia ser considerado um dos melhores de sua vida Gustavo se deitou para dormir, mas antes de fechar os olhos e atrair o sono não resistiu a vontade de desbloquear a tela do celular e abrir a galeria em busca da foto da garota encantadora lambuzada de sorvete, uma cena da qual ele nunca esqueceria e em todas as vezes que ela retornasse em sua mente o faria abrir um sorriso apaixonado.

“— Claro — ela abriu um sorrido, o mesmo que insistia em prender os olhos de seu admirador —. Só quero que você saiba de uma coisa — procurou a mão do amigo juntando os dedos —, você me proporcionou os melhores momentos. Há muito tempo eu não fazia um passeio assim”.

Escutando a voz daquela que conquistou o seu coração o futuro pediatra sentiu uma vontade grande de se declarar, de dizer o que realmente achava de Gabriela, de revelar os sentimentos que ela lhe despertava, mas não sabia como agir, o que fazer, o que falar. Tinha medo de acabar com uma amizade que já era importante. A melhor opção a escolher era aguardar, seguir o tranquilo fluxo do destino.

Quando disse que há muito tempo não fazia um passeio como aquele Gabriela estava dizendo a verdade, o fato era que a garota nunca teve amigos com os quais saísse, seus passeios eram sempre na companhia dos pais, não que fosse menos importante, era sim agradável, mas sair com um bom amigo a fez perceber que era diferente, era divertido e dava um gostinho de “quero mais”.
“Gustavo...”
Ela não conhecia, mas ouvir aquele nome ou simplesmente lembrá-lo causava um gelo em sua barriga, suas mãos pareciam ter vida própria e tremulavam delicadamente, seus lábios desenhavam um sorriso espontâneo.
Embora não pudesse se lembrar do rosto daquele que ela não sabia o que significava para si, conseguia se lembrar nitidamente da suave voz que a agradava, do toque que era do mesmo tanto agradável, com isso nascia o desejo por reencontrá-lo, mal podia esperar para que o novo dia nascesse.
Um simples e bom amigo ou algo a mais? Alguém que aqueceria o seu coração de um jeito especial? Alguém que gostaria dela de uma maneira diferente, um tanto mais intensa? Gabriela não conseguia responder ao certo, mas de uma coisa tinha certeza: Gustavo é a melhor pessoa que conheci em toda a minha vida.

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Um novo dia se iniciava ainda mais ensolarado, típico de verão, enfeitado pelo canto dos muitos pássaros.
Animada, Gabriela entrou no seu quarto dia de aula, ansiosa por falar com alguém especial. Ao pegar algumas coisas em seu armário foi novamente surpreendida por mais um bilhete do seu admirador secreto.

Sinto-me perdido em seu olhar, seu sorriso parece me tirar a razão. Por que a sua presença é tão especial?
Romântico Anônimo

O coração da jovem adolescente pulsou mais forte em seu peito, o perfume já conhecido no papel abriu um sorriso irradiante na garota, que guardando o presente no bolso suspirou ainda mais apaixonada.

— Finalmente beijou — Isaque, ao ouvir toda a história, precipitou-se quanto ao desfecho.
— Fala baixo! — Gustavo temeu que alguém pudesse ter escutado — Dei para trás... Não tive coragem.
— De novo? — o loiro se indignou — Perdeu mais uma oportunidade de ser feliz, de provar o que a vida tem de melhor — usou um tom debochado.
— Do jeito que fala parece até que não estou vivendo.
— De fato não está, mas o entendo, tem medo de afastá-la.
— E perder a oportunidade de passar o resto dos meus dias com alguém tão especial, tão diferente da maioria das outras garotas, tão... indefinível.
— Lorde Gustavo, postura, a duquesa vem aí.
Na mesma hora em que viu Gabriela na porta da sala, o garoto se levantou prontificado a guiá-la até a carteira. A garota não pôde esconder o semblante satisfeito ao perceber a aproximação do amigo, afinal de contas, já esperava pela recepção.
— Dormiu bem? — ele não sabia ao certo como iniciar a conversa, optou pela cordial pergunta.
— Como uma criança despreocupada e, cá entre nós, acabei sonhando com você — declarou tímida.
— Sonhando comigo? — ele se espantou, às suas costas Isaque se divertia com aquilo.
— Sim — ela respondeu acanhada, envergonhada, mas até aquele jeito encantava o seu admirador —. Não sonho como você, mas sua voz me disse muitas coisas.
— Que coisas? — o jovem apaixonado se interessou.
Gabriela se lembrou das doces palavras que ouvira durante a noite, sua timidez não lhe permitira repeti-las, teve que despistar o amigo:
— Nada demais, mas foram as melhores coisas que já ouvi em sonhos.
Isaque não conseguiu se controlar, soltou uma gargalhada há muito presa em sua garganta, recebendo em troca o olhar fuzilante de seu melhor amigo, que de dentes cerrados e voz baixa ameaçou:
— Eu ainda o coloco numa forca! — o pensamento era medieval.
— Isaque?! — Gabriela percebeu a presença do garoto — Nem o cumprimentei.
— Não se preocupe, donzela, estou acostumado a ser colocado de escanteio — fingiu o drama.

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— Para falar a verdade o tratamento será um tanto chato e difícil — o doutor Alair, responsável por cuidar de Isaque, conversava com Ana, a mão do garoto —. O problema possui o grau um tanto grave, dá tempo de revertermos, mas vamos precisar de paciência.
— Ele não vai querer se ajudar, vai continuar com o discurso de que tudo será perda de tempo — a mulher reclamou aflita —. Eu não quero perder o meu bem mais precioso, o meu único filho!
— Nesse momento o papel da família é fundamental — o velho e atencioso homem começou o conselho —. Ele precisa encontrar a persistência e a esperança em vocês, os pais, a força de que ele vai precisar terá que vir de vocês. Não vai adiantar se lamentar pelos cantos ou chorar abraçados, o remédio principal é acreditar e lutar.
— Como se fosse tão simples... — o desespero causava a desesperança.
— Eu sei que não é, mas também não é impossível. Os próximos passos serão trabalhosos, os desafios que vêm por aí são grandes, eu preciso contar com a sua ajuda de mãe para juntos tirarmos o seu filho dessa situação.
— Darei o meu melhor — a mulher enxugou as lágrimas —. Quero salvar o meu filho.

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Embora estivesse indo à escola normalmente Isaque escondeu de todos que sentia algum mal estar, queria evitar preocupações as quais julgava desnecessárias, e queria provar a si próprio de que era forte o suficiente para viver com aquilo que sugava suas forças.
Era aula de Educação Física. Vicente, o professor, costumava ser rígido em suas aulas, fazer os alunos alcançarem seus próprios limites e suarem a camisa literalmente era o seu objetivo. Como preparação ao exercício do dia, o professor ordenou que os rapazes dessem voltas na quadra, correndo, o máximo de tempo possível, sem parar.
Isaque, mesmo sabendo que poderia ser um erro participar daquilo, não iria pedir para ser mais um dos observadores, não queria levantar suspeitas quanto ao seu problema, decidiu passar por cima das próprias dificuldades e atender ao pedido do professor.
— Tem certeza de que está tudo bem? — antes que a largada fosse dada Gustavo mostrou preocupação quanto à saúde do amigo.
— Está tudo ótimo — o rapaz se mostrou bem disposto —. Não precisa se preocupar. Qualquer coisa eu paro.
— Conheço sua teimosia...
— Eu estou bem! – começou a se irritar — Não quero que fique preocupado, não quero que ninguém fique!
A corrida começou.
Isaque parecia querer mostrar que era o melhor, o mais rápido, o mais forte. Corria mais do que o solicitado, assustando além do seu melhor amigo, o professor Vicente.
Mas uma fraqueza repentina e intensa tomou o corpo do garoto que, sentindo a cabeça girar, sofreu um apagão, caiu no médio da quadra, desacordado.

No próximo capítulo:
Entrou junto da garota no banco traseiro do carro, ela soluçava por causa do medo, ele não pôde se conter, teve que abraçá-la e, além de depositar um beijo em sua testa, dizer:

— Está tudo bem, meu amor.

De segunda a sexta, às 19h30!

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