[WebSérie] Romântico Anônimo - Capítulo 20



Capítulo 20


Um verdadeiro anjo. Era essa a definição que o garoto apaixonado poderia dar para aquela que conquistou o seu coração de uma forma especial e tão breve. Parecia que a cada dia que se passava ela ficava ainda mais perfeita aos olhos do adolescente.

As famílias que agora dariam início a uma nova amizade reservaram um cantinho agradável na maravilhosa praia, enquanto observavam o casal de longe teceram elogios.
— Gabriela é uma garota adorável — Juliana comentou —. Nunca alguma menina conquistou o meu filho de um jeito tão surpreendente.
— Seu filho não fica muito atrás — Laura desenhou um sorriso satisfeito —. Que fique entre nós, mas ele foi responsável por muitos suspiros da minha pequena...
— E não acho uma má ideia que eles namorem — Eliseu, para um pai de menina, estava muito a vontade com aquela situação —. O rapaz parece ser de boa índole.
— E é — Eduardo estufou o peito para falar sobre o filho —. Gustavo sonha em ser pediatra, estuda incansavelmente para garantir sua vaga em uma das melhores faculdades, só tenho motivos para me orgulhar.
— Só estão demorando um pouco para se assumirem — Laura lamentou.
— O melhor é deixarmos que o tempo se encarregue disso — Juliana os observava —. Ele escreverá uma linda história.

Grande era a ansiedade de Gabriela para viver mais aquela novidade, passar por cima de mais uma das suas limitações e provar para o mundo que era capaz de viver a mais bela das vidas. O entusiasmo se confundia com o nervosismo, o doce nervosismo que o seu amigo lhe provocava.
Gustavo, por outro lado, sentia uma vontade quase incontrolável em se declarar, ver a garota tão bem produzida em seu modo simples, porém delirante, o fez ter a certeza de que era com ela que gostaria de viver o que seus pais viviam: uma verdadeira história de amor.
— Pronta para conhecer mais uma beleza desse mundo? — uniu as mãos sentindo a costumeira energia que transitava pelos dedos sempre que se tocavam.
— Sempre pronta — o sorriso da menina era ainda mais encantador, algo que tirava o ar do Romântico Anônimo.
— Então tire as sandálias, quero que sinta o calor da areia.
A garota obedeceu.
Os jovens apaixonados amigos deram início ao caminhar pela orla da praia rumo às águas que se moviam em exuberantes e delicadas ondulações, as mãos estavam juntas, os dedos se enlaçavam. Prestando atenção naquele momento o futuro pediatra pôde sentir como ele era reconfortante, algo que pedia para ser eterno. Precisou registrar uma selfie.
— Você e suas fotos — a Adolescente Apaixonada escutou o click da câmera.
— As belas coisas existem para que sejam eternizadas de alguma forma — sua resposta filosófica fora espontânea.
— Acha mesmo que estou bonita? — o sorriso tímido se manifestou em Gabriela, que antes de sair de casa pediu a ajuda da mãe para se arrumar a fim de impressionar o seu admirador nem tão secreto assim.
Elogiar uma garota. A tarefa não era tão fácil. Levando os dedos livres à orelha, como fazia sempre que envergonhado, Gustavo inspirou coragem e expirou palavras amáveis.
— Você está sempre bonita.
Borboletas no estômago, um sorriso bobo de adolescente. Gabriela ouviu aquilo que tanto queria.
A jovem mulher passou a se concentrar no que seus pés sentiam, a areia que penetrava por entre os dedos provocava uma sensação curiosa, assim como o calor morno que os cobria. Pisar sobre aquele chão único, diferente, era simplesmente adorável.
Além de assistir ao sorriso de satisfação que a amada exibia, o Romântico Anônimo também se deixou encantar pelos cabelos que eram agitados pela brisa que soprava do mar. Por algum instante ele tomou a decisão de beijá-la, o rosto já se aproximava, mas o encanto se quebrou e a coragem se transformou em receio.
— Pegue isso — Gustavo entregou uma conchinha à garota —. Essa é mais uma das belezas do mar.
A textura em seu interior era lisa, mas no exterior as saliências dificultavam o deslizar do dedo.
— Incrível — mais aquela novidade encantou a sonhadora.
— Podemos colecionar várias dessas depois, mas agora quero que se entregue ao acolhimento do mar.
— Acha mesmo que seja uma boa ideia? — as preocupações começaram a surgir —. Não quero que por minha causa todo o passeio se transforme em tragédia.
— Confia em mim? — a pergunta era encorajadora.
— Claro — a resposta confiante.
— Então venha ser feliz.
A água no começo estava morna, mas conforme o jovem casal avançava os passos ela se tornava refrescante. Gabriela pôde desfrutar das famosas ondas que vinham ao seu encontro e se chocavam contra os seus joelhos e molhavam o vestido.
— Eu vou contar até três — o garoto colocou mais firmeza nos dedos que se seguravam —. No três você pula.
— Certo.
— Um... Dois... Três...
A sensação de pular sobre as ondas e sentir o vento que marcava presença no rosto provocou as gargalhadas na adolescente desafiada pela vida, parecia uma criança que acabara de ganhar um novo brinquedo. Aquele som fazia de Gustavo um alguém ainda mais apaixonado, podia ser considerado o melhor da sua vida.
— Agora quero que se liberte e sinta de verdade a gostosura de onde estamos — o maior sugeriu.
— Como assim? — a menor se preocupou —. Acho que já aproveitei tudo o que poderia — a insistente escuridão que cercava a garota trazia consigo as dúvidas e receios.
— Quero que abra os braços, feche os olhos e se concentre no vento que nos açoita e na água que nos refresca.
Sem a guia do amigo, Gabriela o obedeceu, mas logo um desequilíbrio a fez procurar em quem se apoiar, como já era esperado encontrou o prestativo garoto.
— Isso não é para mim, você já me ajudou muito.
— Você vai conseguir — o Romântico Anônimo se colocou atrás da Adolescente Apaixonada, uniu os braços e os abriu vagarosamente. Pôde sentir o perfume que exalava dos loiros e compridos fios, além do característico adocicado perfume das rosas. Aquela proximidade tão intensa lhe provocou novamente o desejo de beijá-la.
Perceber o quanto Gustavo se importava fez Gabriela se sentir amada e, consequentemente, mais apaixonada. Pôde inspirar o perfume amadeirado, marca registrada do amigo e, sentir o calor que envolvia seu corpo. Também desejou beijá-lo.
O rapaz respirou fundo, tudo o que conseguiu fazer foi beijar o rosto da tão amada amiga e sussurrar em seu ouvido:
— Confie em você; eu sei que consegue.
Aos poucos se afastou da garota.
A jovem adolescente, embora com medo, permaneceu na posição, tudo que poderia fazer para agradecer ao parceiro pelas coisas que vinha vivendo era atender um dos seus singelos pedidos. Concentrou-se no vento, atentou-se à água e o resultado foi a sensação de liberdade.
O esforçado aluno que desejava conquistar a vaga de medicina na faculdade tirou do bolso da bermuda jeans o celular, companheiro de todas as horas e tratou de filmar o semblante satisfeito e o sorriso animado da tão bela Gabriela, mas o melhor ainda estava por vir.
— Eu amo você — a garota gritou em alto e bom som toda a sua gratidão.
Mas a declaração poderia ser de amiga para amigo.
Sempre emotivo Gustavo guardou o celular enquanto controlava as alegres lágrimas e como resposta envolveu a menina que amava em um afetuoso abraço e com ternura declarou:
— Você é muito importante para mim.
A loira dos olhos azuis, por sua vez, não hesitou em libertar as lágrimas de felicidade e apertar o abraço ao ponto de poder sentir os batimentos cardíacos do outro e, no mesmo também declarou:
— Você é a melhor coisa que já me aconteceu.
Mesmo com todos aqueles motivos para certezas Gustavo não se encorajou a pedir Gabriela em namoro, continuou no acolhedor abraço, embriagando-se no adocicado perfume das rosas.

<<>> 

Fátima, como de praxe, reservava os sábados para as compras e naquele dia não foi diferente. Estando na nova cidade não conhecia muito bem as coisas, até mesmo em um simples supermercado poderia ser surpreendida. Empurrando o carrinho pelo corredor de produtos de limpezas sentiu alguém tocar seu ombro, um alguém indesejado.
— Seja bem-vinda ao meu estabelecimento — Rui possuía um sorriso forçado, de más intenções.
— O que... C-como assim? — ela se deu conta —. O que quer?
— Apenas conversar — o ar de mistério no homem era também de ameaça —. Sei que ainda se encontra com a minha filha e isso não me agrada nem um pouco.
— Não existo para agradá-lo.
— Não foi isso o que ouvi de você há alguns anos — a frase provocou o espanto nos olhos da mulher —. Surpresa? — o empresário riu esnobe —. Até quando acha que me enganaria? Eu sei quem é você Fátima Souza, ou deveria dizer, Helena Siqueira?
— Não faço ideia do que está falando — tentou se esquivar, mas foi agarrada no braço.
— Não fuja de mim, Helena, não é sensato... Eu sei o que veio fazer aqui, mas não estou disposto a facilitar as coisas — soltou-a vagarosamente possuindo um olhar intimidador —. Eu não vou deixar você conquistar Júlia, ela é a minha filha, a que você abandonou!

No próximo capítulo:

— Imbecil! — Helena não conteve a raiva e a descarregou em um tapa no rosto do homem —. Eu não vou deixar que você estrague a minha vida outra vez nem que para isso eu precise matá-lo! — a declaração fora surpreendente.

De segunda a sexta, às 19h30!

Comentários

Siga o blog pelo Instagram:

Postagens mais visitadas deste blog

"Amar é mudar a alma de casa"

A Brevidade da Vida

Aflições na Alma

Flores aos mortos

[Conto] Eternizados Pelo Amor